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Audiência pública promove debate sobre crédito de carbono na Expodireto Cotrijal 2026

Cooperativa paranaense já distribuiu mais de R$ 7 milhões em créditos de carbono


Foto: Divulgação

A audiência pública da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, que ocorre sempre na sexta-feira, último dia da Expodireto Cotrijal, neste ano debateu o impacto da regulamentação da Lei 15.042/2024. Sancionada em dezembro de 2024, a lei criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE).

O senador Luis Carlos Heinze, organizador do debate, destacou que desde o ano passado várias audiências têm sido promovidas visando ouvir os diversos setores interessados. “Aqui a ideia é evidenciar o que já está sendo feito no país para que o produtor consiga mostrar que o agro não é vilão, mas, sim, preserva, e também como produtores vêm conseguindo entrar nesse mercado”, explicou.

Dirigentes de duas cooperativas brasileiras apresentaram dados de programas que transformam práticas agrícolas sustentáveis que já eram adotadas pelos produtores em créditos comercializáveis no mercado regulado de carbono.

A cooperativa Copagril, de Marechal Cândido Rondon/PR, está com o programa em andamento há cerca de dois anos e em 2025 distribuiu mais de R$ 7 milhões em créditos de carbono. “Cerca de 70% dos nossos associados têm menos de 50 hectares e através da comercialização dos créditos oportunizamos renda adicional aos produtores participantes do programa”, destacou o presidente, Eloi Darci Podkowa, acrescentando que esse é um mercado em expansão. “Há muitas empresas, inclusive de fora do Brasil, interessadas em comprar esses créditos, só precisamos de bons projetos”.

O programa da cooperativa Cotrijuc, de Júlio de Castilhos/RS, também teve seus primeiros passos em 2024. Segundo o diretor executivo, Maicon Buzzati, a estimativa é distribuir R$ 1 milhão em créditos de carbono no segundo semestre deste ano aos associados.

O CEO da NetWord Agro, Marcos Ferronato, empresa parceira da Copagril e da Cotrijuc nos programas, explicou como funciona o monitoramento e a certificação dos produtores e destacou que o setor agropecuário brasileiro é o único capaz de gerar o crédito no volume que será demandado. “Até 2030, pelo Acordo de Paris, o Brasil deverá reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 50%, em comparação com os níveis registrados em 2005. Há muitas oportunidades que podem ser aproveitadas”, afirmou.

Novo olhar sobre a produção

O diretor de Tecnologia da Braspell Bioenergia, Afonso Bertucci, apontou as atividades agropecuária e florestal como a solução para a questão climática. Ele participou de forma online da audiência, apresentando dados especialmente relacionados ao setor florestal, e afirmou que o produtor rural precisa olhar para a sua propriedade não mais apenas como fonte de produção de alimentos, mas também de energia.

“O campo e as florestas brasileiros podem se tornar protagonistas da economia de baixo carbono, gerando receitas por meio da venda de créditos e de bioenergia. O maior desafio ainda é regularizar o mercado e as empresas terem metas que possam ser cumpridas”, defendeu.

O presidente da Cotrijal, Nei César Manica, destacou a relevância do tema e da audiência, que tradicionalmente é realizada durante a feira. “Muitas das questões aqui debatidas já foram solucionadas e esperamos que também haja avanços em relação ao mercado de carbono”, defendeu.

Também se manifestaram durante a audiência empresários, lideranças, pesquisadores e produtores. Na avaliação do presidente do Clube Amigos da Terra, Almir Rebelo, há muita desinformação em relação à emissão de dióxido de carbono (CO₂) pela agropecuária. Ele defendeu que o setor já sequestra muito mais carbono do que emite.

O chefe-geral da Embrapa Trigo, Jorge Lemainski, citou os programas de pesquisa em desenvolvimento no país pela instituição e destacou o posicionamento em buscar respostas de credibilidade. “Temos trabalho vasto em andamento nesse tema sustentabilidade e trabalhando as linhas-base para proteger a agricultura brasileira, com informação de acreditação pública, em parceria com os principais cientistas do mundo”, informou.

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