Austrália importa parte de funcionários demitidos do Margem
Cerca de 100 desossadores que atuavam na indústria podem ir trabalhar no exterior
Uma opção para boa parte dos trabalhadores demitidos do Frigorífico Margen, de Três Lagoas (MS), é buscar emprego fora do País. Empresas especializadas em recrutamento anunciam vagas de desossador e serviço na área de abate para atuarem na Austrália, o que vem atraindo a atenção de muitos desempregados, os quais se encaixam no perfil por ter experiência de três anos, com carteira assinada.
Somente em setembro do ano passado, antes mesmo de estourar a crise do Grupo Margen, uma remessa de dez profissionais foi mandada para a Austrália, segundo informações de uma das empresas responsáveis pela seleção. Pelo menos mais 100 pessoas devem ser mandadas para fora do País para trabalhar nos setores de abate e desossa de alguns frigoríficos, como explica José Pereira, proprietário dessa empresa de recrutamento. O contrato dura em média quatro anos e os interessados têm de passar por uma seleção, feita no Brasil.
"Os testes são realizados no Paraná, o primeiro é o exame médico, feito em Maringá (PR). Já tenho muitas pessoas para agendar os exames", comenta. O próximo passo é a prova prática, feita em Paranavaí (PR), onde o interessado desossa a parte dianteira e traseira do boi, sendo filmado, o que posteriormente é mandado para a empresa analisar. A resposta chega depois de 90 dias, prazo que pode ser esticado caso haja grande número de concorrentes. Passada a segunda etapa, começa o processo de documentação, parte feita pela empresa de recrutamento.
Custos
Para esta mudança de vida há um valor a ser investido. O interessado arca com os exames pedidos pela empresa e o valor gira em torno de R$ 600, além do passaporte. Todo o valor gasto é reembolsado pela empresa na hora da contratação. A viagem é custeada pela empresa que contrata os funcionários brasileiros.
O salário varia em aproximadamente US$ 37,100 mil por ano, e deste valor, por volta de US$ 500 são descontados do profissional com despesas da empresa, entre contratação e passagem. "A maioria foi morar em repúblicas e a empresa os manda a cada ano para seu país de origem. Alguns acabam levando mulher e filhos, e o contrato pode ser cancelado a qualquer momento", conclui Pereira.
Exigências
Quem se interessar pelo emprego precisa ter três anos registrados na carteira de trabalho, idade máxima de 39 anos e experiência para o trabalho. De acordo com Sérgio Paulinho dos Santos, 23 anos, muitos de seus colegas já foram para o país, indicados por amigos que já estão no local ou por agências que os orientam.
Mesmo tendo experiência de cinco anos na área, ele explica que foi convidado a ir para Austrália por amigos, mas por causa da família e de não ser registrado na empresa antiga como desossador profissional, não quer se arriscar a ser recusado.
Para Luciano Caldas, 28 anos, o anúncio em frente à empresa especializada chamou a atenção e pode ser sua única opção para sair da crise financeira. "Tenho dois filhos, mas posso deixá-los temporariamente para poder construir um futuro para eles".