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Avaliação de vantagens e riscos

As variedades de soja precoce estão sendo plantadas em escala cada vez maior, porém alguns cuidados devem ser tomados pelos produtores para evitar possíveis prejuízos


As variedades de soja precoce estão sendo plantadas em escala cada vez maior, ano a ano, porém alguns cuidados devem ser tomados pelos produtores para evitar possíveis prejuízos. Um deles é com relação ao clima, já que o plantio ocorre a partir da segunda quinzena de setembro, em um período não favorável às chuvas. Mas existem vantagens, também, por isso o produtor deve analisar os prós e os contras antes de fazer a semeadura na sua região.

Segundo o agrônomo Enoir Pelizzaro, o fato de possuírem um ciclo bastante reduzido torna as variedades precoces muito sensíveis a eventuais adversidades climáticas, pois têm menos tempo para se recuperar. “Por isso o produtor precisa administrar a propriedade dentro de um sistema de produção que minimize ao máximo os riscos, principalmente na região sul, onde a instabilidade climática é mais frequente”, comenta.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Soja, Carlos Arrabal Arias, as cultivares super precoces apresentam melhores resultados em regiões frias, mas em regiões quentes elas não crescem e apresentam menor produção. Segundo ele, foi isso o que ocorreu na última safra paranaense, quando a seca prejudicou o rendimento das lavouras.

“O produtor deve buscar o equilíbrio entre as vantagens e os riscos do uso de cultivares precoces”, afirma Arias. Para isso, o agricultor precisa ter conhecimento de quais cultivares são adaptadas para cada região, clima e época de plantio.

Clayton Bortoloni, da Fundação Rio Verde, diz que as cultivares iniciais possuíam um ciclo de 130 a 140 dias e hoje os materiais possuem ciclo de 110 a 118 dias, com potencial de produtividade igual às cultivares de ciclo longo. “Sem dúvida nenhuma, teremos cada vez mais necessidade de cultivares com maior potencial produtivo, maior tolerância às pragas e doenças e que sejam de ciclo precoce”.

Ele também comenta sobre a maior suscetibilidade das cultivares precoces aos estresses climáticos, mas afirma que atualmente os materiais desenvolvidos estão muito bem adaptados.

Segundo ele, no Mato Grosso, há 29 anos não há ocorrência de veranicos com período superior a 12 dias entre os meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Pelo contrário, o que tem ocorrido são períodos com excesso de chuva. Portanto, Bortoloni afirma que, na média dos últimos anos, quem mais tem perdido são as cultivares tardias.

“Quem adotar um sistema de plantio direto bem feito, não vai perder a produção com um veranico de 15 dias, mesmo usando material precoce. Além disso, é mais fácil escapar de ferrugem e de pragas de final de ciclo utilizando soja precoce do que com cultivares tardias”.

Segundo o pesquisador da Embrapa/Soja, Antônio Eduardo Pípolo, o plantio antecipado da variedade precoce dribla o surgimento da doença nas fases iniciais de desenvolvimento da planta, economizando de uma a uma aplicação e meia de fungicidas.

Estimativa da Agra-FNP aponta que o produtor que conseguiu economizar pelo menos uma aplicação de fungicida com a soja precoce teve rentabilidade 5% superior comparada com a de ciclo médio.

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