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Azeite brasileiro bate recorde, mas alerta para 2027

Produtores já olham para a safra de 2027


Foto: Pixabay

A produção de azeite brasileiro atingiu 1,434 milhão de litros de extravirgem em 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) durante coletiva nesta segunda-feira (31), na 49ª Expointer, em Esteio (RS). Apesar do recorde, o setor já projeta uma safra menor em 2027 devido à perspectiva de chuvas na primavera gaúcha.

A cadeia nacional reúne mais de 620 produtores e 77 lagares em operação, distribuídos por cerca de 280 municípios de oito estados. O Rio Grande do Sul responde por 81% da colheita e concentra a maior área cultivada, com aproximadamente 7,1 mil hectares.

O Rio Grande do Sul reúne cerca de 69% dos 10,3 mil hectares de oliveiras plantados no Brasil. Segundo dados divulgados pelo Ibraoliva, o estado conta atualmente com 390 olivicultores distribuídos por cerca de 120 municípios. Encruzilhada do Sul, Canguçu, Pinheiro Machado, Bagé e Cachoeira do Sul estão entre os municípios de destaque. Segundo o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, essas localidades concentram parte relevante da infraestrutura de processamento, com a adoção de novas tecnologias.

O resultado de 2026 ocorre após duas safras afetadas pelo excesso de chuvas. Mesmo com relativa estabilidade da área plantada, a produção avançou, indicando que o desempenho do setor também está relacionado à evolução do manejo e ao aprimoramento das etapas de colheita e processamento. Segundo dados divulgados pelo Ibraoliva, a adaptação dos produtores às condições climáticas também ganhou importância na formação dos resultados obtidos nesta safra.

A previsão de chuvas na primavera gaúcha já influencia as expectativas para a próxima temporada. Segundo dados divulgados pelo Ibraoliva, a perspectiva é de redução da produção de azeite em 2027.

Para enfrentar as oscilações de produtividade, a entidade pretende ampliar os trabalhos de pesquisa e a aproximação com instituições de ensino. “Vamos ampliar a pesquisa para reduzir as oscilações na produção. Nós temos que acabar com essa montanha-russa e precisamos ter uma estabilidade produtiva. Por isso, estamos cada vez mais aliados à tecnologia e às universidades como a Universidade Federal de Santa Maria, a Universidade Federal de Pelotas”, afirmou Obino. A estratégia busca ampliar o conhecimento sobre o cultivo e reduzir os efeitos das variações que têm marcado as safras recentes.

O Ibraoliva também informou que continuará acompanhando a fiscalização de azeites importados realizada pelo Ministério da Agricultura. Segundo dados divulgados pela entidade, em agosto deste ano, laudos apontaram que algumas marcas estrangeiras comercializadas como extravirgens não atendiam aos padrões da categoria. Outro ponto citado pelo setor é a política de importação. Em março de 2025, o governo brasileiro zerou a alíquota de importação do azeite extravirgem, enquanto a tarifa para o azeite virgem permaneceu em 9%.

Diante desse cenário, o Ibraoliva defende maior articulação entre os produtores brasileiros para ampliar a presença do produto nacional no mercado. “Vamos ampliar ações de divulgação do consumo de azeite brasileiro e estimular a venda cooperativada entre marcas para aumentar a escala e melhorar a competitividade do produto nacional”, completou Obino.

A Serra da Mantiqueira, formada por áreas de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, aparece como o segundo principal polo nacional da atividade. Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo são considerados estados promissores para a expansão do cultivo e da produção de azeite brasileiro.

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