Bahia aposta na produção de macaúba para biocombustíveis
Bahia amplia projeto de combustível sustentável
Foto: Pixabay
O desenvolvimento de soluções voltadas à produção de biocombustíveis a partir da macaúba esteve no centro de uma reunião realizada nesta segunda-feira (11) entre a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri) e a Acelen. O encontro contou também com a participação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio do programa Mapa Conecta, com o objetivo de identificar empresas, startups e tecnologias voltadas ao desenvolvimento do agronegócio baiano.
Durante a reunião, foi apresentado o projeto das unidades agrícola e agroindustrial que estão sendo implantadas pela Acelen nos municípios de Cachoeira e Mucugê. O investimento previsto é de R$ 12 bilhões, com capacidade de produção estimada em 1 bilhão de litros de diesel verde (HVO) e combustível sustentável de aviação (SAF) a partir de 2029. Segundo os envolvidos no projeto, o Recôncavo Baiano foi escolhido para o cultivo em larga escala da macaúba devido às condições agronômicas favoráveis da região.
O secretário da Agricultura da Bahia, Vivaldo Góis, afirmou que o projeto pode ser expandido para outras áreas do estado, como o Vale do São Francisco. “A intenção da Seagri é atrair parceiros que contribuam para o desenvolvimento do agro na Bahia, tanto no estímulo à produção agrícola quanto no avanço de novas tecnologias, fortalecendo uma cadeia produtiva estratégica para o PIB do estado e para a geração de emprego e renda”, ressaltou Góis.
O gerente de Relações Institucionais e Responsabilidade Social da Acelen, Leonardo Ferreira, destacou que a parceria com a Seagri busca ampliar a geração de valor no estado por meio de soluções de baixo carbono. “É um projeto que também visa transformar áreas degradadas em territórios produtivos, posicionando a Bahia no protagonismo da transição energética, além de promover emprego, renda e inclusão socioprodutiva das comunidades”, completou.
A chefe de Gabinete da Seagri, Jorgete Oliveira, afirmou que a integração entre instituições de inovação pode fortalecer o desenvolvimento tecnológico no campo. “Por meio do MapaConecta, a Seagri e o Mapa estão realizando um levantamento de empresas na Bahia que tenham projetos inovadores, startups e tecnologias voltadas ao agro. A ideia é conectar essas iniciativas com grandes projetos estruturantes, como o da Acelen, fortalecendo o intercâmbio de conhecimento, inovação e soluções tecnológicas para o desenvolvimento do campo na Bahia”, afirmou.
A consultora de Inovação Agropecuária do Mapa, Patrícia Fonseca, avaliou que a parceria poderá ampliar a aplicação de tecnologias desenvolvidas no estado. “Essa parceria com a Acelen possibilita que experiências desenvolvidas por instituições baianas na área de tecnologia e inovação sejam utilizadas pela empresa e disseminadas em outras unidades existentes no país”, considerou.
A macaúba (Acrocomia aculeata) é uma palmeira nativa do Brasil reconhecida pelo potencial de produção de óleo vegetal destinado à fabricação de biocombustíveis, além da capacidade de absorção de gás carbônico da atmosfera. Estudos apontam que combustíveis produzidos a partir da cultura podem reduzir em até 80% as emissões de gases de efeito estufa em comparação aos combustíveis fósseis.
Além da produção de óleo vegetal, o cultivo da macaúba também contribui para a cobertura vegetal, conservação do solo e recuperação de mananciais hídricos. A palmeira ainda serve de alimento para aves e outros animais nativos, ampliando sua relevância ambiental.
Atualmente, o biodiesel representa 14% de cada 100 litros de diesel comercializados no Brasil, em um mercado que movimenta cerca de 9 bilhões de litros por ano. A expectativa de crescimento do combustível sustentável de aviação (SAF), impulsionada pelas metas globais do setor aéreo até 2050, deve ampliar a demanda por óleo vegetal nas próximas décadas. Nesse cenário, a macaúba é apontada como uma alternativa estratégica para a expansão dos biocombustíveis no país devido à produtividade e ao potencial sustentável da cultura.