Bancos voltam a atenção ao crédito para importadores
O bancos já começam a dar mais atenção às empresas que fazem este tipo de negócio
Com o aumento das importações registrado desde o ano passado, os bancos já começam a dar mais atenção às empresas que fazem este tipo de negócio, e registram aumento significativo de suas carteiras. “Com o dólar a este patamar atual, e com a expectativa de que caia ainda mais, acredito que o potencial de crescimento das linhas para o importador neste ano é muito bom”, afirma a diretora de trade finance do escritório de representação do Banco Bilbao Viscaya Argentaria (BBVA) no Brasil, Érika Glorigiano.
O BBVA registrou um crescimento de 60% em sua principal linha de crédito ao importador no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período em 2005. Outro que também teve um incremento de 60% em sua carteira no primeiro trimestre foi o ABN Amro Real . Já o Banco do Brasil mais que dobrou seus desembolsos para financiamento à importação em um ano. Em 2004, foram US$ 303,94 milhões concedidos. No ano passado, esta cifra pulou para US$ 718,82 milhões, um salto de 136,5%. O BB ainda não fez o levantamento de seu desempenho este ano.
Em março, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), foram feitos US$ 7,6 bilhões em importações, contra US$ 5,9 bilhões no mesmo mês em 2005, um crescimento de 24,4%. Nos doze meses entre abril de 2005 e março deste ano, o volume acumulado de importações foi de US$ 77,4 bilhões, enquanto no período anterior, este valor foi de US$ 65,6 bilhões, o que significa um incremento de 18%. E até a terceira semana de abril, as importações alcançaram US$ 24,8 bilhões, 30,6% a mais que no mesmo período do ano passado.
A superintendente executiva da área internacional do ABN Amro Real, Sandra Crocco, lembra que o número de empresas exportadoras vem crescendo muito. “Segundo a Secretaria de Comércio Exterior, cerca de mil empresas começaram a importar no Brasil desde 2004. E é claro que isto reflete também nas linhas de crédito”. Outro fator que beneficia este aumento é a facilidade de negociação em relação às exportações. “Aqui no Real, a maior parte dos nossos clientes importadores são pequenas empresas. Até porque nesta operação, a demanda varia de acordo com o câmbio e com o momento econômico, então há muitos negócios pontuais. Já para exportar, a companhia precisa ter uma certa continuidade em suas atividades”.
Linhas disponíveis:
Com todo este potencial a ser explorado, os bancos querem investir cada vez mais no setor. “Nossa principal linha é o desconto de saque para o exportador, e o banco aposta muito nela”, explica Glorigiano. Nesta operação, o banco paga ao exportador, e se torna credora da companhia brasileira que está importando, prorrogando o vencimento. A taxa cobrada é a Libor — juro internacional que está em torno de 5,3% ao ano —, mais um spread de 0,4% ou 0,5% ao ano, dependendo do tipo de operação e do cliente.
“Os produtos mais financiados pelo BBVA são fertilizantes, para empresas de agronegócios, e carvão para companhias da siderurgia”. Além do desconto de saques, o BBVA também financia importações, e garante operações de comércio exterior para empresas brasileiras. “Por sermos um banco internacional, temos muitos clientes em toda parte do mundo que fazem negócios com o Brasil. E isso facilita muito uma operação de garantia de crédito”.
No Real, o crescimento de 60% aconteceu exatamente na carta de crédito para operações de comércio exterior. “Outra linha forte no Real é o financiamento à importação, que cresceu 30% nos três primeiros meses deste ano, comparado ao saldo em carteira no ano passado. Temos atuação em mais de 90 países, e isso facilita muito”, diz Crocco.
Já o Banco do Brasil, uma das linhas oferecidas é a de financiamento máquinas, equipamentos e serviços importados. A concessão é feita por meio de acordo com instituições estrangeiras, e o prazo para pagamento varia entre dois e dez anos, com as taxas também internacionais. Há também uma consultoria especializada que acompanha as empresas em todo o processo. Uma outra linha, feita diretamente pelo BB através de suas agências no exterior, tem um prazo menor — de até três anos—, mas também com a taxa Libor de juros.
O BB também possui uma parceria com o Japan Bank for International Cooperation (JBIC) que beneficia pequenas e médias empresas importadoras. O JBIC é um banco internacional de fomento do governo japonês, que através de parcerias, disponibiliza linhas de financiamento para compra de bens de capital e serviços fabricados no Japão. O volume de recursos disponíveis nesta linha é de US$ 60 milhões, com prazos até 10 anos e juros internacionais fixos ou flutuantes, dependendo das características da operação.