Biochar ganha novas funções a partir da biomassa
A ativação deverá atuar sobre porosidade, área superficial e capacidade de adsorção
A ativação deverá atuar sobre porosidade, área superficial e capacidade de adsorção - Foto: Canva
O desenvolvimento de materiais de carbono a partir da biomassa avança para uma etapa em que controle de processo, rastreabilidade e desempenho ganham peso na definição do produto final. Segundo Ricardo Padilha, CEO no Grupo Eco²Oxigen, a proposta da biorrefinaria é desenvolver uma nova geração de biochar ativado e dopado, com características ajustadas para aplicações específicas.
Diferentemente do biochar convencional, que pode variar conforme a matéria-prima e as condições de pirólise, o projeto prevê biomassa de origem controlada, parâmetros definidos de processamento e caracterização físico-química por lote. Após a produção, o material poderá passar por ativação e dopagem, de acordo com a finalidade pretendida.
A ativação deverá atuar sobre porosidade, área superficial e capacidade de adsorção. Já a dopagem poderá incorporar elementos ou compostos selecionados para funções como enriquecimento mineral, ajuste de pH, retenção de nutrientes e propriedades catalíticas.
O desenvolvimento também prevê controle de qualidade, rastreabilidade do processo, ensaios laboratoriais e testes-piloto. Entre as aplicações consideradas estão agricultura e condicionamento de solos, tratamento de água e efluentes, suportes catalíticos, materiais industriais, compósitos e estabilização e armazenamento de carbono.
A iniciativa integra uma plataforma de valorização da biomassa, com aproveitamento de diferentes frações da matéria-prima e redução de desperdícios. A proposta é transformar o biochar de um subproduto genérico da pirólise em carbono funcional de maior valor agregado, com desempenho mensurável, consistência, segurança e comprovação técnica. As propriedades, aplicações e certificações finais ainda dependerão de testes, ensaios e validação regulatória.