Biochar transforma resíduos do arroz em oportunidade
A disponibilidade do resíduo nas indústrias de beneficiamento reduz custos
A disponibilidade do resíduo nas indústrias de beneficiamento reduz custos - Foto: Pixabay
Resíduos da cadeia do arroz podem ganhar valor económico e ambiental ao serem transformados em biochar, também chamado de biocarvão. As informações são de Gilmar Pretto, conselheiro fiscal suplente da Minupar Participações SA e profissional autónomo.
Produzido pelo aquecimento de matérias orgânicas em alta temperatura e sem oxigénio, num processo conhecido como pirólise, o biochar converte casca e farelo estabilizado de arroz numa estrutura rica em carbono. Aplicado ao solo, o material retém água e nutrientes, mantém fertilizantes por mais tempo e pode ajudar as lavouras em períodos de seca.
O biocarvão também contribui para melhorar a estrutura do solo e estimular a atividade microbiológica benéfica. Outro ponto é o sequestro de carbono, já que parte desse elemento permanece armazenada no solo por centenas de anos, abrindo oportunidades no mercado de créditos de carbono.
Na comparação com outras matérias-primas, os resíduos do arroz apresentam características próprias. A casca é rica em sílica natural, mineral que pode fortalecer a parede celular das plantas e ampliar a resistência a pragas, doenças e stress térmico. A sua porosidade também favorece a retenção de humidade e a aeração das raízes.
A disponibilidade do resíduo nas indústrias de beneficiamento reduz custos logísticos e dispensa a produção de matéria-prima específica. Na Metade Sul do Rio Grande do Sul, o aproveitamento pode estimular a economia circular, com o biochar retornando ao solo da própria região. Usinas e cooperativas também podem obter receita com a venda do bioinsumo e a comercialização de créditos de carbono, fortalecendo a indústria regional e o uso de tecnologias sustentáveis no agro.