Bioeconomia vai além da floresta amazônica
O potencial econômico é amplo
O potencial econômico é amplo - Foto: Pixabay
A biodiversidade brasileira vai além da Amazônia e pode sustentar diferentes caminhos de desenvolvimento econômico, social e ambiental. Segundo Antônio Márcio Buainain, membro do Conselho Científico Agro Sustentável e professor da Unicamp, o tema deve ser tratado de forma ampla, considerando as características dos seis biomas nacionais.
Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampas também reúnem recursos genéticos, conhecimentos tradicionais e oportunidades produtivas que exigem estratégias próprias de conservação. Nesse cenário, faz mais sentido falar em bioeconomias brasileiras, ligadas à floresta em pé, à agricultura, à indústria, à energia, à saúde e à inovação.
A análise propõe ainda que a biodiversidade seja vista como infraestrutura essencial. A regulação da água, a proteção dos solos, a polinização e a resiliência dos sistemas produtivos dependem da integridade dos ecossistemas. Assim, conservação e desenvolvimento deixam de aparecer como objetivos opostos.
O potencial econômico é amplo, mas sua transformação em resultados concretos exige pesquisa, investimento, instituições e governança. O desafio é gerar renda e inovação sem comprometer os sistemas naturais que sustentam essas atividades. “Ainda precisamos desenvolver melhores formas de medir o valor econômico, social e ambiental da biodiversidade; compreender os fatores que determinam o sucesso ou fracasso das diferentes bioeconomias; avaliar impactos, distribuir benefícios de forma mais equilibrada e construir mecanismos de governança capazes de conciliar conservação, inovação e desenvolvimento”, conclui.