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Bioherbicidas: alternativas sustentáveis no controle de plantas daninhas

Bioherbicidas devem crescer mais de 15%


Foto: Pixabay

Estimativas da Fortune Business Insights indicam que o segmento de bioherbicidas deve crescer a taxas superiores a 15% ao ano ao longo desta década, impulsionado por regulações mais rígidas sobre químicos sintéticos e pela busca por soluções de menor toxicidade. Esse cenário, segundo o levantamento, reflete mudanças no modelo de produção agrícola, pressionado pela demanda global por alimentos e pela necessidade de reduzir impactos ambientais.

Nesse contexto, um estudo publicado no periódico Journal of Agricultural and Food Chemistry por pesquisadores ligados ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável analisa o potencial do ácido pelargônico, também conhecido como ácido nonanoico, como bioherbicida. A pesquisa reúne evidências sobre a eficácia da molécula no controle de plantas daninhas e aponta desafios para viabilizar sua aplicação em larga escala.

De origem natural e com baixa toxicidade, o composto atua ao romper as membranas celulares das plantas, provocando dessecação rápida. Segundo o estudo, essa característica favorece o uso em sistemas produtivos que exigem respostas ágeis no manejo, embora limitações como alta volatilidade e rápida degradação ainda restrinjam o desempenho no campo.

Para contornar esses entraves, o trabalho destaca o papel da nanotecnologia no desenvolvimento de formulações mais eficientes. De acordo com os pesquisadores, essas tecnologias permitem maior estabilidade, liberação controlada e melhor adesão às superfícies vegetais, o que pode ampliar a persistência do composto e reduzir perdas.

O coordenador do INCT NanoAgro, Leonardo Fraceto, afirmou que a inovação está na combinação entre compostos naturais e tecnologia. “O uso de compostos naturais como o ácido pelargônico já demonstra eficácia, mas ainda enfrenta limitações importantes no campo. A nanotecnologia surge como uma ferramenta capaz de potencializar esses bioativos, aumentando sua estabilidade e eficiência, sem abrir mão do compromisso ambiental”, disse.

Fraceto também destacou o potencial de expansão do uso desses insumos. “Estamos falando de uma nova geração de insumos agrícolas, mais alinhados com as demandas regulatórias e com a expectativa da sociedade por uma agricultura mais limpa. O desafio agora é escalar essas soluções com viabilidade econômica para o produtor”, completou.

Além disso, o estudo aponta avanços nas rotas de produção do ácido pelargônico a partir de fontes renováveis, como óleos vegetais, o que reforça o alinhamento com práticas agrícolas sustentáveis e com a bioeconomia. Segundo os autores, a integração entre ciência, inovação e demanda de mercado posiciona o composto como alternativa no contexto de mudanças no setor agrícola.

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