Bioherbicidas ainda buscam seu espaço
A ausência chama atenção porque os herbicidas representam quase R$ 47 bi do mercado
A ausência chama atenção porque os herbicidas representam quase R$ 47 bilhões do mercado - Foto: Divulgação
O avanço dos bioinsumos abriu uma nova frente de discussão no setor de defensivos, mas os herbicidas seguem como uma das principais lacunas dessa transformação. Segundo análise de Christian Pereira, estrategista de agronegócio, embora o mercado brasileiro de bioinsumos tenha superado R$ 6,2 bilhões em 2025, com alta de 15%, ainda não há bioherbicidas comercialmente estabelecidos em escala no mundo.
A ausência chama atenção porque os herbicidas representam quase R$ 47 bilhões do mercado brasileiro de defensivos, a maior fatia do segmento, à frente de fungicidas e inseticidas. O desafio, porém, não está apenas no preço do glifosato, que recuou mais de 60% entre 2022 e 2023 no Brasil. A dificuldade envolve eficácia, seletividade, espectro de controle e adaptação a diferentes condições de campo.
A análise aponta que o bioherbicida não precisa disputar diretamente com o glifosato como produto de uso amplo e baixo custo. O espaço mais promissor pode estar em problemas que os químicos já não resolvem tão bem, como plantas daninhas resistentes, culturas com restrições de residualidade e mercados que exigem rastreabilidade e práticas mais sustentáveis.
Nesse contexto, Koppert Brasil e Biotrop passaram a sinalizar apostas relevantes na área. A Koppert confirmou pesquisas para desenvolver um herbicida biológico à base de fungo, com foco em alvos como buva e capim-amargoso. Já a Biotrop anunciou o lançamento do que chamou de primeiro bioherbicida em escala no mundo.
Apesar do potencial, a categoria ainda precisa provar consistência no campo. Para o setor, o ponto central será definir onde o bioherbicida entra no manejo real do produtor e qual valor concreto entrega além do discurso de sustentabilidade.
“A questão não é "o bioherbicida vai vingar?" É "qual é a tese específica de valor que vai fazer o produtor incorporá-lo ao manejo, mesmo com todas as limitações atuais?" Quem tiver uma resposta clara para isso antes de lançar vai construir uma posição de mercado. Quem lançar sem essa clareza vai aprender com o campo — e o campo cobra caro”, conclui.