Bioinsumos avançam com alerta no solo
Os ganhos ambientais também ajudam a explicar esse avanço
Os ganhos ambientais também ajudam a explicar esse avanço - Foto: Divulgação
A expansão dos bioinsumos reforça a busca da agricultura por alternativas de manejo mais alinhadas à adaptação climática, à eficiência produtiva e à redução de impactos ambientais. Segundo Jacques Dieu, especialista em agricultura regenerativa, o avanço dessa tecnologia precisa ser acompanhado por diagnóstico do solo para evitar perdas de eficiência e riscos no campo.
O tema ganhou destaque no BioSummit 2026, realizado em Campinas, nos dias 6 e 7 de maio, ao apontar os bioinsumos como uma das principais apostas da agricultura diante das mudanças climáticas. No Brasil, a área tratada com esses produtos chegou a 194 milhões de hectares em 2025. Em cinco anos, a adoção passou de 22% para 47%, crescimento que representa quatro vezes a média global.
Os ganhos ambientais também ajudam a explicar esse avanço. Dados apresentados com base em informações da Embrapa indicam que 1 quilo de defensivo químico emite de 20 a 25 quilos de CO₂, enquanto a mesma quantidade de bioinsumo gera de 3 a 5 quilos. A diferença reforça o papel dos produtos biológicos em estratégias de redução da pegada de carbono na produção agropecuária.
Apesar do crescimento, há pontos de atenção. O Brasil registrou 277 produtos biológicos formulados a partir de apenas duas cepas de microrganismos. Essa baixa diversidade funcional aumenta o risco de aplicações redundantes ou incompatíveis com a microbiota nativa do solo, reduzindo o potencial esperado no manejo.
Nesse contexto, a análise da diversidade microbiana passa a ser uma etapa estratégica. A BeCrop®, da Biome Makers Inc., é apresentada como uma ferramenta capaz de mapear a microbiota funcional do solo, identificar grupos ativos, excessos e deficiências na ciclagem de nutrientes, além de apontar patógenos, riscos de doenças e indicadores de estresse abiótico. A tecnologia também permite monitorar o sequestro de carbono e validar práticas regenerativas.
A mensagem central do BioSummit 2026 é que os bioinsumos avançam como caminho para uma agricultura mais biológica, mas seu uso exige dados. Sem diagnóstico, o manejo pode operar abaixo do potencial, enquanto a integração entre biodiversidade microbiana e decisão agronômica tende a ampliar a resiliência climática de forma mensurável.