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Bioinsumos podem virar escudo contra fertilizantes caros

O mercado nacional de bioinsumos já movimentou mais de R$ 6,2 bilhões


O mercado nacional de bioinsumos já movimentou mais de R$ 6,2 bilhões O mercado nacional de bioinsumos já movimentou mais de R$ 6,2 bilhões - Foto: Divulgação

A busca por maior estabilidade na produção agrícola tem ampliado o interesse por práticas capazes de reduzir a exposição da lavoura a fatores externos, especialmente em um cenário de custos voláteis. Segundo Jacques Dieu, especialista em Agricultura Regenerativa, a boa notícia é que a solução não está em novos portos, mas logo abaixo dos pés do produtor.

A instabilidade geopolítica global e a oscilação nos preços dos fertilizantes sintéticos importados deixaram evidente que a dependência química externa representa um risco estratégico para o produtor brasileiro. Nesse contexto, os bioinsumos ganham espaço como alternativa para fortalecer a fertilidade do solo e diminuir a vulnerabilidade da atividade agrícola a movimentos que ocorrem fora da porteira e até do outro lado do oceano.

O mercado nacional de bioinsumos já movimentou mais de R$ 6,2 bilhões e alcançou uma área tratada superior a 194 milhões de hectares. O avanço indica que a biologia agrícola deixou de ser uma promessa restrita a nichos e passou a ocupar escala relevante no campo. A proposta é ativar uma espécie de fábrica natural no solo, com microrganismos capazes de melhorar a nutrição das plantas e ampliar a disponibilidade de nutrientes.

Entre as ferramentas citadas estão bactérias como Bacillus subtilis e Bacillus megaterium, que atuam na solubilização do fósforo fixado em minerais, argila ou matéria orgânica, tornando o nutriente assimilável pelas plantas. Também se destaca a fixação biológica de nitrogênio, com estirpes de Bradyrhizobium em leguminosas, que podem eliminar a necessidade de fertilizante nitrogenado, e Azospirillum em gramíneas, associado ao crescimento radicular e à redução de 20% a 30% na adubação de cobertura.

A transição envolve diagnóstico biológico do solo, planejamento de coinoculação e redução gradual da adubação química conforme a atividade microbiológica se restabelece. A lógica é que o produtor moderno não dependa apenas da fertilidade comprada em sacos, mas passe a cultivá-la dentro do próprio ecossistema agrícola.
 

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