Biológicos ficam para trás em meio a avanço dos registros
Herbicidas, fungicidas e inseticidas respondem por 236 registros
Herbicidas, fungicidas e inseticidas respondem por 236 registros - Foto: Divulgação
O mercado de defensivos agrícolas mantém em 2026 uma forte concentração nos produtos químicos tradicionais, enquanto os biológicos ainda representam uma parcela menor dos registros aprovados no país. Segundo Artur Vasconcelos Barros, Diretor Executivo no Grupo Central Campo, os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária mostram 342 registros de defensivos agrícolas no ano, dos quais menos de 20% são biológicos ou microbiológicos.
Herbicidas, fungicidas e inseticidas respondem por 236 registros, volume próximo de 70% do total. Já os produtos biológicos e microbiológicos, considerando todas as categorias, não chegam a 65 registros. Para Barros, os números contrastam com o avanço do discurso sobre a transição biológica no setor, enquanto a química tradicional continua concentrando a maior parte da disputa por espaço no mercado.
Entre as empresas, a Syngenta aparece na liderança, com 33 registros. Na sequência estão companhias como Perterra, CHDS, AllierBrasil e Agrobeats, que também acumulam registros de moléculas já presentes no mercado há anos.
Na avaliação de Barros, esse movimento não deve ser interpretado necessariamente como avanço da inovação. O ranking refletiria, principalmente, a capacidade das empresas de obter registros para moléculas consolidadas. Embora um herbicida genérico e uma molécula nova exijam esforços regulatórios, os impactos comerciais e técnicos são diferentes para quem compra e distribui esses produtos.
Para a distribuição, o principal risco está em associar automaticamente o aumento do portfólio a uma oferta mais inovadora ou técnica. O crescimento no número de registros pode representar maior presença de produtos genéricos, enquanto os biológicos ainda avançam em ritmo mais limitado. Nesse cenário, a competição permanece concentrada principalmente na química tradicional e no acesso regulatório a ativos já conhecidos.