Biometano avança, mas capacidade segue ociosa
O setor ainda enfrenta incertezas
O setor ainda enfrenta incertezas - Foto: Divulgação
O mercado de biometano avança, mas ainda convive com baixa utilização da capacidade instalada, diferenças regionais e entraves regulatórios e logísticos. Segundo Drew Crawford, citando os dados abertos de biometano da ANP de junho de 2026 e o boletim mensal de gás natural da agência, a produção chegou a 78,6 milhões de metros cúbicos no primeiro semestre, passando de 380.685 metros cúbicos por dia em janeiro para 530.834 em junho.
Na comparação com o gás natural efetivamente disponibilizado aos compradores, a produção de biometano de junho equivale a cerca de 0,8%, enquanto toda a capacidade autorizada representa aproximadamente 2%. O resultado supera o indicado pela comparação com a produção bruta de gás, que inclui volumes reinjetados, consumidos nas operações ou queimados.
A oferta está concentrada. Rio de Janeiro e São Paulo responderam, juntos, por 56% da produção nacional no ano. Entre as maiores unidades, a operação de aterro de Seropédica processou 80% de sua capacidade de biogás em junho, enquanto ativos ligados à cana apresentaram taxas menores. A sazonalidade explica parte da diferença, porque a vinhaça depende do período de moagem, mas não justifica desempenho reduzido em plena safra.
O setor ainda enfrenta incertezas na implementação do mandato de descarbonização. A meta de 2026 foi fixada em 0,5%, abaixo do piso inicial de 1%, e a emissão dos certificados depende de procedimentos que ainda estavam em definição em julho. A infraestrutura também limita o escoamento, sobretudo em áreas produtoras distantes dos centros industriais.
Nesse cenário, projetos que substituem diesel nas próprias usinas ganham relevância. A experiência citada aponta redução de 30% no custo interno de combustível, criando retorno econômico sem depender da expansão imediata do mercado de certificados.