Boas Práticas Agrícolas: como produzir mais com eficiência e responsabilidade no campo
Produtividade e sustentabilidade caminham juntas
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Para o coordenador de boas práticas agrícolas da Corteva, produtividade e sustentabilidade caminham juntas — e o planejamento das aplicações é o ponto de partida para um agro mais rentável e competitivo.
As boas práticas agrícolas deixaram de ser apenas uma recomendação técnica para se tornarem um diferencial estratégico do agronegócio brasileiro. Em entrevista ao Portal Agrolink, Jair Maggioni, coordenador de boas práticas agrícolas da Corteva Agriscience, explica por que o tema é fundamental para que o produtor rural alcance eficiência no campo, reduza riscos operacionais e reforce a credibilidade do setor frente ao mercado nacional e internacional.
O que são boas práticas agrícolas e por que elas importam
O conceito de boas práticas agrícolas vai muito além de uma lista de regras a ser seguida. Segundo Maggioni, trata-se de um conjunto de ferramentas, procedimentos e padrões operacionais de gestão que orientam o produtor a realizar suas atividades com eficiência e responsabilidade ambiental — gerando, ao mesmo tempo, viabilidade econômica e conformidade com a legislação municipal, estadual e federal.
Na prática, esse conjunto envolve desde a escolha correta dos insumos, o manejo adequado do solo e da água, a regulagem de equipamentos, o monitoramento das condições climáticas no momento da aplicação de defensivos agrícolas, o uso correto dos equipamentos de proteção individual (EPIs), até o armazenamento e descarte correto das embalagens. Para o coordenador, a rastreabilidade das operações é parte igualmente essencial dessa equação.
"O setor hoje precisa entregar muito mais do que só produtividade. O produtor precisa trabalhar com qualidade, sustentabilidade e transparência nos processos."
Jair Maggioni · Coordenador de Boas Práticas Agrícolas, Corteva Agriscience
O especialista destaca que o Brasil ocupa um lugar de destaque no agronegócio mundial, o que aumenta a responsabilidade dos produtores de reforçar suas operações para manter a competitividade internacional e a credibilidade crescente do setor. Nesse contexto, as boas práticas agrícolas funcionam como uma estratégia para proteger o agricultor, a lavoura, o meio ambiente e a reputação do agronegócio como um todo.
O papel da Corteva na disseminação do conhecimento técnico
A aproximação com o produtor rural é o ponto central da atuação da Corteva Agriscience na disseminação das boas práticas. Conforme explicou Maggioni, esse trabalho passa por uma forte base educacional, com capacitações técnicas, orientações no campo, treinamentos, dias de campo, mini dias de campo, materiais educativos — que vão desde cartilhas até vídeos — e o apoio de equipes especializadas que acompanham o agricultor nos diferentes processos da propriedade.
O coordenador ressalta que pequenas decisões operacionais, quando bem tomadas, podem gerar ganhos enormes dentro de uma propriedade. Além das iniciativas educacionais, a empresa investe em inovação tecnológica para apoiar uma agricultura cada vez mais precisa, contribuindo para a eficiência do produtor em toda a cadeia produtiva — desde a compra dos insumos até a entrega final do produto ao mercado.
Planejamento da aplicação: o diferencial que reduz perdas e aumenta resultados
Diante dos desafios climáticos crescentes — como os períodos de chuvas intensas e ventos fortes que têm marcado o Sul do Brasil nos últimos anos —, o planejamento da aplicação de defensivos surge como uma ferramenta indispensável. Para Maggioni, quando o produtor planeja bem cada etapa do processo, ele consegue considerar fatores como a janela de aplicação, o estágio da cultura, a identificação antecipada de plantas daninhas e possíveis doenças ou pragas, além das variações climáticas como vento, temperatura e umidade relativa do ar.
"Fazendo tudo isso, ele vai evitar retrabalho, vai desperdiçar menos insumos, vai ter impacto menor em culturas vizinhas, e vai ter uma exposição desnecessária muito menor do aplicador", explica Maggioni.
Esse conjunto de cuidados permite que a aplicação seja mais precisa, com melhor deposição das gotas no alvo, maior aproveitamento do produto e menor chance de perda por deriva — fenômeno em que o agroquímico não atinge o objetivo pretendido e é carregado para fora da área de aplicação.
Regulagem dos pulverizadores: impacto direto na produtividade e na sustentabilidade
Um dos aspectos mais técnicos — e frequentemente negligenciados — das boas práticas é a regulagem e calibração dos pulverizadores. Conforme Maggioni, essa etapa tem impacto direto tanto na produtividade quanto na sustentabilidade da lavoura, pois favorece aplicações mais precisas, com cobertura uniforme e atingindo o alvo: seja a planta, quando se trata de herbicidas, a doença, no caso de fungicidas, ou a praga, no uso de inseticidas.
Quando a regulagem está adequada, o produtor aumenta a eficiência do controle, reduz perdas, evita retrabalho e melhora o aproveitamento dos insumos como um todo. Do ponto de vista ambiental, a calibração correta é fundamental para reduzir o risco de deriva, diminuindo o desperdício do produto e o impacto sobre áreas e culturas vizinhas.
Erros mais comuns que levam à deriva
- Aplicar em condições climáticas inadequadas: ventos muito fortes, ausência de vento, temperaturas extremamente elevadas ou baixa umidade do ar
- Uso incorreto do tamanho de gota e das pontas de pulverização
- Pressão desajustada nos pulverizadores
- Operadores sem treinamento adequado ou que não seguem as orientações técnicas dos produtos
- Falta de monitoramento climático durante a aplicação
Clima como fator crítico: como temperatura, vento e umidade influenciam a aplicação
O comportamento da gota no momento da pulverização é diretamente determinado pelas condições climáticas. Ventos muito intensos favorecem que a gota não atinja o alvo, sendo carregada para fora da área de aplicação. Temperaturas acima de 30 graus combinadas com baixa umidade do ar podem provocar a evaporação das gotas, comprometendo a cobertura e reduzindo a eficiência da pulverização.
Quando o agricultor não observa corretamente essas condições, o risco é duplo: há perda de desempenho no controle, já que o produto não atinge o alvo, e pode haver impacto em áreas vizinhas ou no meio ambiente, com o produto sendo arrastado para fora da área desejada. Por isso, na avaliação de Maggioni, monitorar as condições climáticas durante a aplicação é uma medida essencial para melhorar o aproveitamento do produto e diminuir os riscos no campo.
Sustentabilidade e rentabilidade: caminhos que se complementam
Um dos principais equívocos que ainda persiste entre parte dos produtores é a percepção de que adotar práticas mais sustentáveis implica necessariamente em reduzir a produção ou aumentar os custos. Para Maggioni, as boas práticas agrícolas demonstram exatamente o oposto: sustentabilidade e rentabilidade caminham juntas.
Quando o produtor realiza um manejo mais técnico e eficiente, respeitando as ferramentas das boas práticas, ele consegue reduzir o desperdício, evitar perdas e usar o solo e a água de forma muito mais racional. Isso ajuda a proteger o meio ambiente, diminuindo riscos de contaminação e melhorando a eficiência da operação no campo. Como sintetizou o coordenador: preservar recursos não significa produzir menos, mas produzir com muito mais precisão — e melhorar o retorno sobre o investimento.
Inovação tecnológica: soluções que aliam eficiência e menor risco de deriva
A Corteva tem investido no desenvolvimento de tecnologias que unem eficiência operacional, sustentabilidade e eficiência na aplicação. Um dos destaques mencionados por Maggioni é o Sistema Enlist, que oferece ao produtor flexibilidade no controle mais preciso e manejo de plantas daninhas no campo, apoiado por sementes com biotecnologias cada vez mais eficientes.
Enlist Colex-D: herbicida com até 90% de redução no potencial de deriva
O Enlist Colex-D é um herbicida à base de 2,4-D colina, desenvolvido para oferecer controle eficiente de plantas daninhas durante a aplicação com redução do potencial de deriva em até 90% quando utilizado em parceria com pontas de indução de ar. O produto proporciona flexibilidade operacional ao produtor e melhora o uso dos recursos no campo.
Além do Sistema Enlist, a empresa trabalha com diferentes tecnologias em fungicidas, inseticidas, herbicidas e tratamento de sementes, todas voltadas para entregar eficiência crescente e soluções cada vez mais tecnológicas aos produtores.
EPI: cuidado como investimento, não como obrigação
O uso correto dos equipamentos de proteção individual ainda enfrenta resistência em algumas propriedades. Para Maggioni, essa percepção precisa mudar: o EPI deve ser encarado como parte integrante da gestão da propriedade, e não apenas como uma obrigação legal. Quando o produtor e a equipe que trabalha com ele compreendem que seguir as recomendações de uso reduz afastamentos do trabalho, evita acidentes e dá mais controle à operação como um todo, fica claro que um trabalho seguro significa mais continuidade, mais eficiência e menor risco para as pessoas e para o negócio.
A conscientização, segundo o coordenador, passa por orientação técnica, exemplos no campo, treinamentos constantes e pela compreensão de para que serve cada EPI em cada etapa do processo.
A mensagem para o produtor gaúcho — e para o agro brasileiro
Ao encerrar a conversa, Maggioni deixou uma mensagem direta ao produtor gaúcho e ao setor como um todo: as boas práticas agrícolas não fortalecem apenas a lavoura, mas também a imagem do agronegócio perante a sociedade. Quando o agricultor produz com responsabilidade e cuidado com o solo, a água e as pessoas, ele demonstra que produtividade e sustentabilidade são complementares, e não opostas.
"Utilizem as ferramentas de boas práticas agrícolas. Elas são fantásticas. Pois auxiliam na agricultura responsável, sustentável e produtiva."
Jair Maggioni · Coordenador de Boas Práticas Agrícolas, Corteva Agriscience
Para o coordenador, esse compromisso é fundamental para gerar confiança, valorizar o trabalho do produtor no dia a dia e reforçar a credibilidade tanto do agro gaúcho quanto do agro brasileiro dentro e fora das porteiras. Em um cenário global cada vez mais exigente em termos de rastreabilidade, responsabilidade ambiental e transparência, as boas práticas agrícolas representam não apenas uma escolha técnica, mas uma vantagem competitiva real.