Boi gordo: mercado paulista encerra semana firme
China mantém liderança, mas reduz compras
Foto: Pixabay
O mercado do boi gordo em São Paulo encerrou a semana sem alterações nas cotações, segundo a análise desta sexta-feira (7) do informativo “Tem Boi na Linha”, publicado pela Scot Consultoria. Com a oferta de animais controlada, os frigoríficos avançaram nas compras de forma cautelosa, enquanto as escalas de abate atendiam, em média, oito dias.
O mercado abriu a sexta-feira com poucos negócios fechados. Apesar da oferta controlada, os compradores que precisavam recompor as escalas conseguiam adquirir animais, desde que aceitassem os preços pedidos pelos vendedores.
A indústria, por sua vez, manteve uma postura cautelosa e avançou nas compras sem pressa, buscando as melhores oportunidades de negócio. Com esse cenário, as cotações permaneceram estáveis para todas as categorias.
Segundo a Scot Consultoria, o viés para o início da próxima semana era de preços firmes. A principal atenção, porém, estava voltada para o comportamento das vendas de carne bovina durante o fim de semana, especialmente por causa da comemoração do Dia dos Pais.
A expectativa era de que a data contribuísse para estimular o consumo. Caso as vendas não correspondessem ao esperado, o movimento poderia limitar a sustentação dos preços do boi gordo e reduzir o espaço para novas altas.
Exportações de carne bovina
No mercado externo, o Brasil exportou 227,9 mil toneladas de carne bovina in natura em julho, com média diária de embarques de 9,9 mil toneladas. O volume representou queda de 17,7% em relação ao mesmo período de 2025, que havia registrado o melhor julho da série histórica.
Apesar da redução no volume, o preço médio da tonelada avançou 14,4% na comparação anual e alcançou US$ 6,4 mil. O aumento do valor pago pela carne, contudo, não foi suficiente para compensar a queda nos embarques.
O faturamento de julho somou US$ 1,4 bilhão, 5,8% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025. Segundo a análise, o resultado foi reflexo do menor volume exportado.
Até aquele momento, julho apresentava o pior desempenho de 2026 em volume embarcado. Em faturamento, porém, o mês ocupava a quarta posição, enquanto o preço médio por tonelada estava em terceiro lugar no ano.
No acumulado de janeiro a julho de 2026, o Brasil já havia exportado 1,7 milhão de toneladas de carne bovina, volume 10,2% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O ano também ocupava a primeira posição em faturamento.
China mantém liderança, mas reduz compras
A Ásia continuava como principal destino da carne bovina brasileira, com a China na liderança. Em julho, o país asiático respondeu por 36,6% do volume total exportado pelo Brasil. No acumulado do ano, a participação chinesa chegou a 50,7%.
Os Estados Unidos permaneciam como o segundo maior cliente da carne bovina brasileira, tanto no resultado de julho quanto no acumulado de janeiro a julho.
Apesar da liderança chinesa, o informativo chamou atenção para a redução das compras no mercado asiático. Em julho, o volume de carne bovina in natura importado pela China foi o menor registrado pelo país em 2026 e ficou 47,8% abaixo do volume adquirido em junho, que havia sido o maior do ano.
O movimento ocorre em meio ao avanço do Brasil sobre a cota estabelecida pela salvaguarda chinesa. De acordo com a análise, esse cenário pode estar trazendo maior cautela às compras e aos embarques destinados ao país.
Com o mercado interno de São Paulo encerrando a semana estável e o cenário externo ainda marcado pelo desempenho das exportações, o comportamento da demanda por carne bovina passa a ser um dos principais pontos de atenção para os próximos dias.