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Boletim semanal: Soja e boi lideram altas, enquanto café robusta recua 4% na semana

O levantamento compara os fechamentos de 17 e 23 de julho


Foto: Pexels - Magda Ehlers

Os preços agropecuários encerram a semana com movimentos distintos no mercado brasileiro. Soja, arroz e boi gordo registraram as principais altas entre os indicadores analisados, enquanto café robusta, açúcar e frango congelado perderam valor.

O levantamento compara os fechamentos de 17 e 23 de julho, último dia com cotações completas disponíveis para todos os mercados selecionados. As variações foram calculadas a partir dos indicadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Os preços de soja, milho, arroz, café, açúcar e boi gordo têm como base os indicadores diários do Cepea.

As referências de suínos e frango também correspondem às séries do centro de pesquisas, considerando a carcaça negociada no atacado da Grande São Paulo e a carne de frango congelada comercializada no estado.

A soja apresentou a maior valorização entre os produtos acompanhados. O indicador de Paranaguá passou de R$ 141,02 para R$ 147,47 por saca, avanço de 4,57%.

A demanda global por farelo aumentou a disputa entre compradores internos e externos. Segundo o Cepea, o movimento elevou os prêmios de exportação e os preços no mercado brasileiro, oferecendo sustentação também às cotações do grão.

O milho teve variação mais moderada. O Indicador ESALQ/B3 avançou 0,94%, de R$ 64,94 para R$ 65,55 por saca. O mercado apresentou diferenças regionais, refletindo o ritmo da colheita, a disponibilidade do cereal e a postura dos compradores.

O indicador atingiu o maior patamar desde setembro de 2025. A sustentação veio da oferta restrita por parte dos produtores, da necessidade de recomposição dos estoques das indústrias e do aquecimento do mercado externo.

Parte das beneficiadoras, entretanto, manteve cautela diante da dificuldade de repassar o aumento da matéria-prima aos preços dos produtos industrializados.

Na pecuária, o boi gordo foi o principal destaque positivo. O indicador paulista subiu de R$ 333,50 para R$ 343,75 por arroba, valorização de 3,07%.

O mercado mostrou aproximação entre os valores praticados em São Paulo e em outros estados produtores. A disponibilidade de animais prontos para abate e a necessidade das indústrias de completar as escalas continuaram no centro das negociações.

A carcaça suína teve leve alta de 0,36%, encerrando o período em R$ 8,43 por quilo. O movimento semanal foi pequeno, mas o setor apresentou diferenças importantes entre os sistemas de produção e as regiões acompanhadas. Já o preço do frango congelado recuou 1,38%, passando de R$ 7,27 para R$ 7,17 por quilo.

Além da queda semanal da carne, os produtores enfrentam pressão dos custos de alimentação. Na parcial de julho, o poder de compra do avicultor paulista diminuiu tanto em relação ao milho quanto ao farelo de soja.

Na comparação com julho de 2025, o poder de compra frente ao farelo caiu 16%, enquanto a redução diante do milho chegou a 12%. O Cepea relaciona o cenário ao aumento dos preços dos insumos e à menor procura pela carne no varejo durante as férias escolares.

O café robusta apresentou o recuo mais intenso do boletim, com queda de 4,01%. A saca passou de R$ 1.110,80 para R$ 1.066,24.

O arábica também perdeu valor, mas em ritmo menor. O indicador caiu 1,15%, encerrando a quinta-feira a R$ 1.692,59 por saca.

A diferença entre as variedades mostra que o mercado cafeeiro continua reagindo de forma distinta à entrada da safra, à disponibilidade de cada tipo de grão e às negociações para exportação.

No açúcar cristal branco, a retração foi de 2,21%, com a saca negociada a R$ 91,49 no encerramento do período.

O comportamento dos preços deverá continuar condicionado ao ritmo da colheita, à oferta disponível nas principais regiões produtoras e à disposição dos compradores em recompor estoques.

Para soja e milho, câmbio, exportações e demanda das indústrias de ração permanecem entre os principais pontos de atenção. No arroz, o mercado observará se a retenção dos vendedores continuará sustentando as cotações.

Na pecuária, as escalas de abate serão importantes para o boi gordo, enquanto frango e suínos continuarão dependentes da relação entre os preços das carnes e os custos de milho e farelo de soja.

O boletim mostra que a semana foi mais favorável aos vendedores de soja, arroz e boi. Para café robusta, açúcar e frango, o período terminou com pressão negativa e margens que exigem atenção redobrada.

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