Boletim semanal de preços: soja recua em Chicago, milho oscila e boi fecha julho em alta
A maior movimentação ocorreu no complexo soja.
Foto: Pexels - Magda Ehlers
Os principais mercados agropecuários encerraram julho sem uma direção única. Enquanto a soja perdeu valor na Bolsa de Chicago e os contratos do milho apresentaram pequenas oscilações na B3, o boi gordo consolidou uma recuperação no mercado físico brasileiro. Açúcar, trigo e ovos também tiveram comportamentos distintos no período.
A maior movimentação ocorreu no complexo soja. O contrato com vencimento mais próximo em Chicago terminou o dia 30 de julho cotado a US$ 11,77 por bushel, ante US$ 12,48 no dia 24. A diferença representa uma queda de aproximadamente 5,7%.
Os derivados acompanharam o movimento. O farelo de soja acumulou recuo de 5,3% em seis sessões, fechando a US$ 314,10 por tonelada curta. O óleo de soja caiu 9,6% em cinco dias, para 68,35 centavos de dólar por libra-peso. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, a melhora das condições climáticas nas regiões produtoras dos Estados Unidos reduziu parte da preocupação com a safra norte-americana.
No Brasil, a queda foi mais limitada. O dólar permaneceu próximo de R$ 5,10 e os prêmios pagos nos portos ficaram ao redor de US$ 1,50 por bushel, ajudando a compensar parcialmente a baixa internacional. A soja foi negociada entre aproximadamente R$ 140 e R$ 150 por saca nos portos. Nas regiões produtoras acompanhadas, os valores variaram de R$ 119 a R$ 127,50 por saca. No Rio Grande do Sul, a média semanal ficou em R$ 127,60.
Os contratos futuros de milho terminaram a semana com oscilações moderadas na B3. O vencimento setembro de 2026 fechou a R$ 69,78 por saca, com queda semanal de R$ 0,97. Novembro terminou a R$ 74,64, recuo de R$ 0,11, enquanto janeiro de 2027 avançou R$ 0,35 na semana, para R$ 77,75.
No mercado físico, as indicações ficaram entre R$ 58 e R$ 63 por saca no Rio Grande do Sul. Em Mato Grosso do Sul, os preços variaram de R$ 48 a R$ 50,05. A demanda das indústrias de bioenergia ajudou a absorver parte da oferta disponível, enquanto o atraso da colheita em algumas regiões reduziu a pressão sazonal sobre as cotações.
O açúcar teve uma semana de menor volatilidade. O contrato outubro de 2026 do açúcar bruto negociado em Nova York terminou cotado a 14,77 centavos de dólar por libra-peso, praticamente estável. Durante o período, as negociações permaneceram concentradas entre 14,50 e 15 centavos. A oferta elevada no curto prazo e a moagem no Centro-Sul brasileiro limitaram as tentativas de recuperação.
No mercado pecuário, o fechamento de julho confirmou a recuperação do boi gordo. Entre o início e o fim do mês, a cotação do boi avançou 3,9%. O chamado “boi China” e a vaca tiveram valorização de 2,9%, enquanto a novilha subiu 2,4%. Em São Paulo, as escalas de abate atendiam, em média, a seis dias no encerramento do mês.
O mercado de ovos seguiu na direção oposta. Nas regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, as cotações acumulavam queda superior a 15% em relação a junho e de até 18% na comparação com julho de 2025. A média parcial do mês, calculada até o dia 29, foi a menor em termos reais para um mês de julho desde 2019.
No Paraná, o trigo completou o quinto mês consecutivo de valorização. Segundo o Departamento de Economia Rural, o preço médio pago ao produtor deve ter ultrapassado R$ 70 por saca em julho, depois de nove meses abaixo desse nível. Mesmo assim, a média permaneceu inferior aos R$ 76,97 registrados em julho do ano passado.
O balanço mostra que a oferta disponível, o clima internacional, o ritmo da colheita e a demanda das indústrias estão produzindo resultados diferentes para cada cadeia. Na soja, o clima norte-americano permanece como principal referência. No milho, o mercado acompanha a disputa entre exportadores, fábricas de ração e usinas de etanol. Já nas proteínas animais, a renda do consumidor e o tamanho da oferta devem continuar influenciando os preços internos.