Brasil responde por cerca de 60% da expansão da soja nos últimos 20 anos
Impacto da soja ultrapassa os limites da porteira
Foto: Nadia Borges
O crescimento da produção de soja transformou o Brasil em protagonista no mercado global de alimentos e ajudou a potencializar o desenvolvimento econômico de diversas regiões do país nas últimas décadas. De acordo com Fabiano Oliveira, líder do negócio de Soja da Bayer, o avanço da soja acompanhou uma forte expansão da demanda mundial, especialmente da China.
Há cerca de 20 anos, o mundo produzia e consumia aproximadamente 220 milhões de toneladas de soja. Desde então, a necessidade global pelo grão cresceu em cerca de 200 milhões de toneladas. “O Brasil respondeu por cerca de 60% dessa expansão nos últimos 20 anos. Quando analisamos apenas a última década, essa participação chega a aproximadamente 70%”, destacou.
Durante a sua apresentação no Workshop Biotecnologia no Brasil - Oportunidades, inovação e o futuro no agro, Fabiano ressaltou que o país saiu de uma produção inferior a 60 milhões de toneladas para uma safra próxima de 180 milhões de toneladas, consolidando-se como maior produtor e exportador mundial da oleaginosa.
Para Fabiano Oliveira, o impacto da soja ultrapassa os limites da porteira e pode ser observado no desenvolvimento de municípios que cresceram impulsionados pelo agronegócio. “Existe uma correlação muito forte entre as regiões produtoras de soja e os indicadores de desenvolvimento econômico. Estamos falando de municípios com melhores escolas, hospitais, infraestrutura e qualidade de vida”, afirmou.
Cidades como Cascavel (PR) e Luís Eduardo Magalhães (BA) foram citadas como exemplos da transformação econômica observada em polos agrícolas nas últimas décadas. De acordo com o executivo, parte importante do sucesso brasileiro está relacionada à capacidade de inovação construída pelo setor.
Ele destacou que o agricultor brasileiro tem papel central nesse processo por adotar novas tecnologias e buscar constantemente ganhos de produtividade.
“O produtor rural brasileiro entende a importância da inovação e da tecnologia para manter a competitividade. Isso foi fundamental para a evolução da agricultura nacional”, disse. Oliveira também ressaltou a importância de instituições de pesquisa, universidades, fundações e empresas privadas no desenvolvimento de soluções adaptadas às condições tropicais do país.
“O Brasil enfrenta desafios fitossanitários diferentes dos encontrados em países de clima temperado. Por isso, foi necessário investir em tecnologias específicas para a nossa realidade.”
Fabiano Oliveira ainda destacou dados que apontam ganhos consistentes de produtividade com o uso de biotecnologias mais modernas na cultura da soja.
Com base em informações auditadas do Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja, promovido pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), o executivo afirmou que cultivares equipadas com tecnologias mais recentes apresentaram ganhos médios entre 10% e 12% em comparação com materiais convencionais. “Quando falamos em produtividade, isso representa geração de valor para o agricultor e para toda a cadeia produtiva”, afirmou.
Segundo ele, o avanço tecnológico também ampliou significativamente o número de cultivares disponíveis no mercado, permitindo que os produtores escolham materiais mais adequados às características de cada região e sistema produtivo.
Outro tema abordado foi a importância da proteção à propriedade intelectual para garantir a continuidade dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Oliveira explicou que a biotecnologia exige elevados investimentos e longos períodos de desenvolvimento antes de chegar ao campo.
“São investimentos bilionários e de longo prazo. A tecnologia precisa ser remunerada para que novas soluções continuem sendo desenvolvidas”, destacou.
O sistema brasileiro permite diferentes formas de remuneração da tecnologia, incluindo a compra de sementes certificadas, a utilização de sementes salvas dentro dos mecanismos previstos em lei e a remuneração vinculada à comercialização da produção.
O executivo ressaltou que a maior parte dos produtores realiza esse pagamento no momento da aquisição de sementes certificadas, modelo que contribui para sustentar toda a cadeia de pesquisa, produção e multiplicação de sementes.
Ao encerrar sua apresentação, Fabiano Oliveira defendeu que o Brasil está bem posicionado para aproveitar as oportunidades que surgirão com a transição energética e as demandas relacionadas à redução das emissões de carbono. Segundo ele, além de continuar desempenhando papel relevante na produção de alimentos, o país poderá ampliar sua participação em mercados ligados aos biocombustíveis e às energias renováveis. “O Brasil já sai na frente quando analisamos a participação de fontes renováveis na matriz energética. Mas essa é uma oportunidade que está apenas começando”, afirmou.
A ampliação da demanda por biodiesel e outras fontes renováveis poderá abrir novas perspectivas para a cadeia da soja nas próximas décadas. No entanto, ele destacou que a manutenção desse protagonismo dependerá da continuidade dos investimentos em tecnologia, inovação e segurança jurídica. “Os resultados que vemos hoje foram construídos por decisões tomadas há 20 ou 30 anos. As escolhas que fazemos agora vão determinar o protagonismo do Brasil nas próximas décadas”, concluiu.