Brasil tem trunfo escondido contra crise do petróleo
Os autores também destacam o avanço da geração elétrica renovável
Os autores também destacam o avanço da geração elétrica renovável - Foto: Pixabay
A nova crise do petróleo recoloca a segurança energética no centro do debate global e amplia a atenção sobre países capazes de reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Nesse cenário, o Brasil surge com uma base já estruturada em biocombustíveis e geração renovável, resultado de políticas públicas, coordenação institucional e investimentos acumulados ao longo de décadas.
O texto de Pedro Abel Vieira e Décio Luiz Gazzoni sustenta que essa vantagem não é fruto apenas de condições naturais, mas de uma construção histórica. O Proálcool, criado após o choque do petróleo nos anos 1970, e o programa de biodiesel, lançado em 2004, são apontados como exemplos de políticas que ajudaram a integrar etanol e biodiesel à matriz energética. Hoje, a gasolina contém 30% de etanol e o diesel tem 15% de biodiesel, com previsão de aumento dessas misturas nos próximos anos.
Os autores também destacam o avanço da geração elétrica renovável, com a participação de Itaipu, da energia solar, eólica e da cogeração nas usinas de etanol. Na avaliação deles, essa estrutura funciona como amortecedor diante da alta do petróleo, reduzindo a exposição do país a choques externos.
Ao mesmo tempo, o artigo alerta que a oportunidade não está garantida. O Brasil poderá avançar para atividades de maior densidade tecnológica, como combustíveis sustentáveis de aviação e biorrefinarias, ou se limitar à ampliação de matérias-primas. O desfecho dependerá da capacidade de ampliar coordenação, atender exigências ambientais e transformar vantagens setoriais em estratégia mais ampla de desenvolvimento.
“Em um mundo marcado pela incerteza energética e ambiental, poucos ativos são tão valiosos quanto a capacidade de produzir alternativas viáveis e ambientalmente sustentáveis aos combustíveis fósseis. O Brasil já possui esse ativo, resta saber se continuará operando por meio de “ilhas de alta capacidade”, ou se conseguirá transformar essa vantagem silenciosa em uma estratégia de desenvolvimento mais ampla, integrada e sustentada institucionalmente, transversalmente imbricada nas cadeias produtivas do País”, finalizam os pesquisadores da Embrapa e membros da Academia Brasileira de Ciência Agronômica.