CI

Cacau: por que a nutrição contínua pode melhorar o manejo

Chuva e veranico desafiam nutrição do cacau


Foto: Pixabay

A nutrição do cacau ganha importância no manejo das lavouras brasileiras diante da necessidade de elevar a produtividade e manter o fornecimento de nutrientes ao longo do ciclo. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção brasileira deve alcançar 324,2 mil toneladas em 2026, com a Bahia respondendo por 137,4 mil toneladas, ou 42,4% do total nacional.

A cacauicultura baiana passa por um movimento de aumento da produtividade, associado à adoção de tecnologias, ao controle fitossanitário e a práticas sustentáveis. O Sul da Bahia continua como principal região tradicional de cultivo, enquanto novas áreas produtoras avançam em outras partes do estado.

Nesse cenário, a eficiência da adubação se torna um dos pontos de atenção para o produtor. A alternância entre períodos de elevada precipitação e veranicos interfere na disponibilidade de nutrientes e exige estratégias capazes de manter o fornecimento à planta.

O tema será discutido na ExpoCacau, em Ilhéus (BA), durante a palestra “Tecnologia e nutrição eficiente para altas produtividades na cacauicultura”, apresentada pelo engenheiro agrônomo Alan Veloso, da ICL. “O cacau tem uma particularidade importante: diferentes fases de desenvolvimento podem ocorrer simultaneamente na planta. Enquanto há frutos em desenvolvimento, outros processos fisiológicos também estão acontecendo. Por isso, não basta concentrar a oferta de nutrientes em um único momento. A planta precisa de uma nutrição contínua e equilibrada”, explica Veloso.

Segundo dados divulgados pela ICL, a dinâmica climática da região também interfere na eficiência do manejo nutricional. Em períodos de chuva intensa, os nutrientes podem sofrer perdas por diferentes processos.

O nitrogênio, por exemplo, está sujeito à lixiviação e à volatilização. O potássio também pode ser deslocado no perfil do solo pela movimentação da água, enquanto o fósforo apresenta baixa mobilidade e pode ter sua disponibilidade reduzida por processos de fixação no solo. “Quando fazemos a aplicação, o objetivo não deve ser apenas colocar o nutriente no solo, mas garantir que ele permaneça disponível para a planta. Em uma região em que podemos ter muita chuva em determinado período e depois passar um ou dois meses com pouca precipitação, essa eficiência faz muita diferença”, afirma Veloso.

O manejo nutricional da cacauicultura regional também é condicionado pela concentração das adubações em duas principais janelas ao longo do ano, normalmente entre fevereiro e março e entre agosto e setembro.

Segundo dados divulgados pela ICL, o calendário acompanha o regime climático e as duas principais colheitas da cultura, com a aplicação dos fertilizantes realizada na sequência.

A operação ainda apresenta desafios em propriedades localizadas em áreas íngremes e de difícil mecanização. Nessas condições, entradas adicionais na lavoura são mais trabalhosas, aumentando a importância de um planejamento nutricional capaz de atender às necessidades da planta por períodos mais longos. “Existe uma tradição de manejo muito forte na região, construída ao longo de décadas pelos produtores. Ao mesmo tempo, temos hoje tecnologias que permitem trabalhar melhor cada uma dessas entradas na lavoura. Se o produtor já concentra a adubação em duas épocas, precisamos pensar em como fazer o nutriente permanecer disponível durante o intervalo entre elas”, diz o engenheiro agrônomo.

A necessidade de nutrição contínua também está relacionada à própria distribuição da produção ao longo do ano. A cultura apresenta duas colheitas de maior concentração, a temporã e a safra, esta última no segundo semestre.

Como diferentes estágios de desenvolvimento podem ocorrer simultaneamente no cacaueiro, a demanda nutricional não termina após uma dessas etapas.

Entre as tecnologias apresentadas pela ICL na ExpoCacau está o Polyblen, fertilizante desenvolvido para disponibilizar nutrientes gradualmente. Segundo dados divulgados pela ICL, a tecnologia utiliza encapsulamento para controlar fisicamente a liberação dos nutrientes.

Nesse processo, o nutriente é solubilizado dentro do grânulo e disponibilizado ao longo do tempo. Para culturas perenes, a companhia apresenta uma opção com liberação por até 180 dias.

A proposta é aproximar a disponibilidade dos nutrientes da demanda contínua do cacaueiro, mantendo uma nutrição mais equilibrada entre as principais janelas de aplicação e reduzindo a necessidade de intervenções em períodos mais curtos. “O ganho está em trabalhar o tempo a nosso favor. Se temos uma cultura que demanda nutrientes continuamente e uma realidade de campo em que o produtor faz duas aplicações principais no ano, uma tecnologia capaz de liberar esses nutrientes gradualmente por até seis meses se encaixa muito bem nesse manejo”, destaca Veloso.

Segundo dados divulgados pela ICL, a tecnologia já é utilizada pela companhia em grandes propriedades produtoras de cacau, em conjunto com soluções de nutrição foliar.

Na ExpoCacau, a empresa pretende ampliar a discussão com médios produtores, segmento em que ainda há espaço para maior adoção de tecnologias de eficiência nutricional.

Para Veloso, a incorporação dessas ferramentas deve considerar as práticas já consolidadas nas propriedades e o conhecimento acumulado pelos produtores. “O produtor de cacau do Sul da Bahia é muito tradicional e conhece profundamente a cultura e a sua área. Tecnologia não chega para substituir esse conhecimento. Ela precisa mostrar, na prática, onde pode tornar o manejo mais eficiente. Polyblen abre essa conversa porque permite partir de uma necessidade muito concreta, que é manter a planta nutrida ao longo do tempo, e avançar para um programa nutricional mais completo”, conclui.

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7