Cacau avança com temor sobre safra
A recuperação ocorreu após um período de correção baixista
A recuperação ocorreu após um período de correção baixista - Foto: Pixabay
Os preços internacionais do cacau registraram forte valorização no início de maio, em um movimento associado à percepção de que ainda há riscos relevantes para a oferta global, mesmo diante da expectativa de superávit nas próximas safras. Segundo informações da StoneX, entre 1º e 8 de maio, os contratos futuros acumularam ganhos superiores a 30% nos principais mercados internacionais.
Em Nova Iorque, o contrato com vencimento em julho de 2026 avançou cerca de 30,4% no período, aproximando-se de US$ 4.684 por tonelada. Em Londres, o contrato equivalente teve alta de 32,1%, encerrando cotado a £ 3.551 por tonelada. Com esse desempenho, as cotações alcançaram os maiores patamares em cerca de três meses e meio.
A recuperação ocorreu após um período de correção baixista observado desde o início do ano. O avanço recente indica uma reversão expressiva de parte das perdas acumuladas, em meio à reavaliação dos agentes sobre as condições da próxima safra e os possíveis impactos sobre a disponibilidade do produto.
Apesar de o mercado ainda trabalhar com a projeção de superávit global nas próximas duas safras, a alta mostra que as preocupações com a oferta não foram totalmente retiradas dos preços. Esse cenário mantém a volatilidade elevada e reforça a sensibilidade das cotações a qualquer sinal de mudança nas expectativas para a produção.
O comportamento dos contratos em Nova Iorque e Londres também evidencia que os fundamentos ligados à oferta seguem no centro das negociações. A intensidade dos ganhos em poucos dias sugere que o mercado passou a incorporar novamente prêmios de risco, após a queda registrada nos meses anteriores.
Com isso, o cacau voltou a ocupar posição de destaque entre as commodities agrícolas negociadas internacionalmente. A evolução das próximas semanas deve seguir condicionada às avaliações sobre a safra, ao balanço global entre oferta e demanda e à percepção dos investidores sobre a permanência dos riscos produtivos.