Cacau recua dos picos, mas ainda segura alívio no preço do chocolate
Mesmo após correção no mercado internacional, cacau segue acima de US$ 5,1 mil/t
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O mercado do cacau entrou em uma fase menos explosiva do que a vista nos últimos meses, mas isso ainda não significa alívio imediato para o chocolate. Depois de uma sequência de forte volatilidade internacional, a commodity voltou a operar acima de US$5,1 mil por tonelada no início de julho, patamar que segue elevado para a indústria e mantém o custo da matéria-prima no centro da formação de preços.
Segundo a Organização Internacional do Cacau, o preço diário ICCO ficou em US$5.169,23/t em 1º de julho de 2026 e passou para US$5.116,52/t em 2 de julho de 2026. No mesmo período, os contratos futuros em Nova York ficaram em US$5.178,33/t e US$5.141,67/t, respectivamente. Em Londres, as referências foram de £ 3.883,00/t e £ 3.811,33/t.
A leitura econômica é que o cacau saiu do momento mais agudo de estresse, mas não voltou a ser barato. Para a indústria, o problema não é apenas a oscilação diária, e sim o novo patamar de custo. Mesmo quando há queda em relação aos picos, os preços continuam altos o suficiente para limitar promoções, reduzir margens e pressionar produtos derivados, como barras, bombons, achocolatados, coberturas e itens de confeitaria.
No mercado brasileiro, as referências também seguem firmes. Em 3 de julho de 2026, o cacau estava cotado a R$ 305,00 por arroba na Bahia, R$ 1.220,00 por saca no Espírito Santo e R$ 19,00 por quilo no Pará. As cotações ficaram estáveis em relação aos dias anteriores, mas ainda refletem um mercado sensível ao comportamento externo e ao câmbio.
Na conversão por quilo, a arroba baiana de 15 kg a R$ 305,00 equivale a cerca de R$ 20,33/kg. A saca capixaba de 60 kg a R$ 1.220,00 também aponta para aproximadamente R$ 20,33/kg. No Pará, a referência direta era de R$ 19,00/kg. A diferença entre as praças mostra que o preço interno não acompanha apenas a bolsa internacional; ele também carrega logística, qualidade, liquidez regional e relação entre comprador e produtor.
Houve algum recuo no mercado nacional em relação ao fim de junho. Em 26 de junho de 2026, a Bahia tinha referência de R$ 320,00/@, o Espírito Santo de R$ 1.280,00/sc e o Pará de R$ 21,00/kg. Comparando com 3 de julho, a queda foi de cerca de 4,7% na Bahia e no Espírito Santo, e de aproximadamente 9,5% no Pará. Ainda assim, a correção não muda o quadro principal: o cacau continua caro para a indústria.
O impacto no consumidor costuma chegar com atraso. Indústrias trabalham com estoques, contratos, repasses parcelados e estratégias de embalagem. Em alguns casos, o reajuste aparece no preço final; em outros, vem por redução de gramatura, mudança de formulação ou corte de margem. Por isso, uma baixa pontual na commodity não derruba automaticamente o preço do chocolate no supermercado.
A cadeia também convive com um desequilíbrio de expectativa. Para o produtor, o preço elevado melhora receita e pode estimular investimento em manejo, renovação de lavouras e controle sanitário. Para a indústria, encarece a compra da amêndoa e aumenta a necessidade de caixa. Para o consumidor, o efeito aparece em uma categoria que já deixou de ser compra puramente sazonal e passou a pesar mais no orçamento de alimentos industrializados.
A pergunta para os próximos meses é se o mercado internacional vai confirmar um movimento de normalização ou se a volatilidade continuará controlando o preço. Caso as cotações permaneçam acima de US$ 5 mil/t, a tendência é de pouco espaço para queda relevante ao consumidor. Para o chocolate ficar mais barato, não basta o cacau cair por alguns dias. É preciso uma combinação de oferta mais confortável, câmbio favorável, recomposição de estoques e menor pressão de custos industriais.
O cacau atualmente já não está no mesmo ambiente de pânico dos momentos mais extremos, mas ainda está longe de um cenário confortável. E, enquanto essa conta continuar apertada, o chocolate dificilmente terá alívio rápido na ponta final.