CI

Café solúvel: fim da sobretaxa nos EUA pode acelerar exportações

Brasil amplia vendas de café solúvel


Foto: Divulgação

As exportações brasileiras de café solúvel somaram 8,161 mil toneladas em julho de 2026, volume 20% superior ao registrado no mesmo mês de 2025, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). O resultado reforça a recuperação do produto no mercado internacional e acompanha o avanço do consumo doméstico.

No acumulado de janeiro a julho, o Brasil embarcou 57,4 mil toneladas de café solúvel, equivalentes a 2,488 milhões de sacas de 60 quilos. O volume representa crescimento de 10,9% ante as 51,7 mil toneladas exportadas nos primeiros sete meses de 2025.

Segundo dados divulgados pela Abics, o desempenho ocorre em um momento de mudanças no ambiente comercial do setor. Em 1º de maio, entrou em vigor o Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Na segunda quinzena de julho, os Estados Unidos incluíram o café solúvel na lista de isenções da nova tarifa aplicada a produtos brasileiros. A medida encerrou um período de quase um ano em que o produto permaneceu sobretaxado.

Para o diretor executivo da Abics, Aguinaldo Lima, porém, as medidas são recentes demais para explicar integralmente o resultado de julho. “São conquistas, contudo, recentes demais para explicar os volumes já embarcados. Nenhuma das duas medidas teve tempo de se refletir integralmente nos números de julho, mas o que já se enxerga é a reação desses mercados. Os embarques para a UE cresceram 51,4% entre maio e o fim de julho, somando 5,2 mil toneladas e as remessas aos EUA voltaram a crescer no mês passado, 9,5% acima de julho de 2025, com 1,3 mil toneladas. O efeito pleno das duas conquistas deve aparecer a partir do segundo semestre”, projeta Lima.

A receita cambial acumulada entre janeiro e julho de 2026 alcançou US$ 663,5 milhões, queda de 2,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo dados divulgados pela Abics, a retração é considerada modesta diante do crescimento do volume embarcado. A explicação está no comportamento dos preços internacionais. “É um descolamento explicado pelos preços: o mercado global opera, atualmente, abaixo das cotações excepcionais registradas em 2025. Embarcamos bastante mais café e faturamos praticamente o mesmo”, observa Lima.

Estados Unidos continuam como principal destino

Os Estados Unidos permanecem como principal comprador do café solúvel brasileiro. Entre janeiro e julho, o país adquiriu 8,4 mil toneladas, volume 12% inferior ao registrado no mesmo intervalo de 2025. Segundo Lima, a comparação precisa considerar que todo o período de 2026 ocorreu sob a sobretaxa norte-americana, em vigor desde agosto de 2025. Os sete primeiros meses do ano passado, por outro lado, ainda foram anteriores à aplicação da medida.

O desempenho de julho, portanto, ganhou relevância. Segundo dados divulgados pela Abics, o Brasil embarcou 1,3 mil toneladas aos Estados Unidos no mês, alta de 9,5% em relação a julho de 2025. “É justamente por isso que o dado de julho ganha peso. Mesmo comparado a uma base ainda livre de tarifas, o mês registrou 1,3 mil toneladas embarcadas aos EUA, alta de 9,5%, sendo o primeiro sinal claro de recuperação do fluxo, anterior à própria isenção, que passou a valer apenas nos últimos dias do mês passado”, analisa Lima.

Na sequência dos principais destinos aparecem Argentina e Rússia, ambas com 4,6 mil toneladas. Na comparação anual, as compras argentinas recuaram 9,6%, enquanto as russas cresceram 21,9%.

Países produtores ampliam compras do café brasileiro

Entre os principais destinos, chama atenção a presença de países que também são grandes fabricantes de café solúvel e que, mesmo assim, aumentaram significativamente as compras do produto brasileiro.

Segundo dados divulgados pela Abics, a Colômbia ficou na quarta posição, com 3,4 mil toneladas, alta de 145,7% em relação a 2025. A Indonésia aparece logo depois, com 3,2 mil toneladas e crescimento de 49,6%. O México ocupa a nona posição, com 2,3 mil toneladas, alta de 33,2%, enquanto o Vietnã fecha o top 10, com 2,2 mil toneladas e avanço de 67,2%. “Esse movimento reforça a competitividade da indústria brasileira de café solúvel, que abastece, inclusive, seus concorrentes diretos”, afirma Lima.

O mercado europeu também aparece entre os principais compradores. A Polônia ocupa a sexta posição, com crescimento de 40,6%, enquanto a Estônia está em sétimo lugar, com alta de 103,4%.

Os Países Baixos aparecem na oitava colocação, com avanço de 36,9%. “Esses países estão entre os dez maiores compradores, todos registrando uma expansão expressiva na comparação com 2025. Essa é uma leitura que converge com o salto de 51,4% nos embarques à União Europeia, como um todo, desde maio”, comenta Lima.

Consumo de café solúvel cresce no mercado brasileiro

O avanço do café solúvel não se limita às exportações. Segundo dados divulgados pela Abics, o consumo doméstico alcançou 17,3 mil toneladas entre janeiro e julho de 2026, equivalentes a 751 mil sacas. O volume representa crescimento de 14,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

Para a consultora de Mercado Interno da Abics, Eliana Relvas, a expansão está relacionada principalmente à maior variedade de produtos oferecidos pela indústria nacional. “Hoje nós temos um sortimento muito amplo de café solúvel, desde cafés orgânicos, descafeinados, cafés premium e de excelência, enfim, variedade de oferta para diferentes momentos de consumo. Assim, a percepção de produtos de qualidade também aumentou”, explica.

Segundo Relvas, o café solúvel também vem ganhando espaço como ingrediente em diferentes produtos, incluindo bebidas prontas para beber e produtos em pó. “Esses produtos vêm registrando um aumento importante no consumo, principalmente com proteína. Dessa forma, o café solúvel entra como um importante ingrediente nessa mescla de produtos voltados à reposição e à suplementação de proteína”, conta.

Outro fator apontado pela consultora é a redução de um antigo preconceito em relação à categoria. “A quantidade de produtos ofertados no mercado faz com que o consumidor brasileiro consuma mais o café solúvel, tendo uma melhor percepção sobre ele, o que é bom porque entendem melhor a diversidade e a qualidade. Isso, aliado à praticidade de preparo e aos constantes investimentos das nossas indústrias, contribui para que o consumo permaneça evoluindo gradualmente”, conclui.

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7