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Café torrado do Brasil ganha espaço no exterior


Exportações nos primeiros oito meses do ano atingiram 50,7 mil sacas, superando os volumes totais de 2001. Maior produtor e exportador de café verde do mundo, o Brasil começa a despontar no mercado internacional como forte candidato a ingressar no ranking dos grandes vendedores de café torrado e moído. Os embarques do café torrado entre janeiro e agosto deste ano totalizaram 50,7 mil sacas, superando os volumes negociados no exterior durante os doze meses de 2001, de 40,8 mil sacas, de acordo com o Conselho dos Exportadores de Café Verde do Brasil (Cecafé).

As estimativas de mercado são de que até o final do ano as exportações brasileiras de café torrado e moído totalizem 100 mil sacas.

O quadro otimista para as vendas do setor é atribuído a dois fatores: nova estratégia de exportação de café e resposta ao pedido do governo. "Para driblar a crise do setor, as indústrias estão agregando valor ao produto ‘in natura’. Além disso, o pedido do governo para exportar produtos com maior valor agregado está sendo atendido", afirma Luiz Moricochi, pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA), órgão da Secretaria da Agricultura de São Paulo.

Mercado internacional

Moricochi diz que o potencial de crescimento do Brasil no mercado internacional de café torrado e moído é grande, já que por ano são comercializadas entre 5 milhões e 6 milhões de sacas no mundo. "Desse total, a Alemanha é responsável por 1,3 milhão de sacas e a França por 1 milhão. Não faz sentido que o maior produtor do mundo tenha uma participação tão pequena."

Recente pesquisa do IEA mostra que as indústrias brasileiras, do ponto de vista tecnológico, estão preparadas para enfrentar a concorrência internacional.

A Café Bom Dia, uma das principais indústrias de café torrado e moído do País, irá ampliar os investimentos para aumentar suas exportações. A empresa informa que vai investir entre US$ 1 milhão e US$ 3 milhões nos próximos anos, atingindo um total de US$ 5 milhões em 2005, para a produção e exportação do produto.

Com produção mensal da ordem de 30 mil sacas, a estratégia do Bom Dia é destinar 50% de tudo o que produz ao mercado externo. "Inauguramos nossa nova unidade de produção em 1993 e, depois de cinco anos, tivemos que ampliá-la para atender a demanda externa", afirma Sydney Max de Paiva, diretor-presidente do Bom Dia. Atualmente, apenas 7% da produção do Bom Dia é exportada para o Mercosul, EUA, Canadá, França, Coréia, Japão e Grécia.

Há seis anos no mercado de café torrado, o Grupo Branco Peres, dono da marca Café do Centro, prevê exportar US$ 100 mil em café torrado para o Japão até o final deste ano. "O mercado de café industrializado é protegido em outros países, mas apostamos na China como o mais promissor dos mercados", diz Rodrigo Branco Peres, diretor-presidente do grupo.

O acesso aos canais de distribuição em outros países também é encarado como grande gargalo para o setor. "Nos supermercados nacionais já difícil ter espaço. Essa dificuldade é multiplicada quando se fala em grandes redes internacionais", afirma Guilherme Braga Pires Filho, presidente do Cecafé.

Em sua opinião, essa dificuldade está sendo driblada com a venda de marcas próprias para as grandes redes. "Alguns desses supermercados encontraram fornecedores confiáveis e que garantem um fluxo de abastecimento regular. Com isso, o café torrado do Brasil está aparecendo em gôndolas de outros países", diz Pires Filho.

Exportações brasileiras

As exportações brasileiras de café (verde, torrado e solúvel) totalizaram 16,29 milhões de sacas de 60 quilos entre janeiro e agosto deste ano, 16% superior aos embarques realizados no mesmo período do ano passado, de 14,04 milhões de sacas. A receita com os embarques atingiu US$ 784,4 milhõs, um recuo de 17% sobre o mesmo período de 2001. "Em agosto, os embarques foram os maiores dos últimos 10 anos, com 2,8 milhões de sacas ", afirma Pires Filho, do Cecafé. O aumento das exportações no período é reflexo da maior participação brasileira no mercado internacional.

Leilão do governo

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realiza hoje o quarto leilão de opções de venda para o café. Serão ofertados sete mil contratos, dos quais 5,2 mil são de arábica e 1,8 mil de robusta. O valor mínimo do prêmio é R$ 0,65, por saca para o arábica e R$ 0,38 o robusta. As opções destinam-se a café arábica tipo 6 e robusta tipo 7, para entrega em dezembro. O governo federal vai leiloar ainda 20 mil sacas de seus estoques.

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