Café trava no Brasil: exportações caem e produtor segura vendas
Com menos café disponível, o ritmo das exportações desacelera naturalmente
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A safra 2025/26 de café já mostra um movimento diferente no mercado brasileiro: menos café disponível, exportações em queda e produtores menos dispostos a negociar. O resultado é um ritmo mais lento de embarques e um mercado travado, que exige estratégia de quem está no campo.
Entre julho de 2025 e março de 2026, o Brasil exportou 29,09 milhões de sacas, redução expressiva frente às 36,91 milhões embarcadas no mesmo período anterior. O recuo marca o menor volume para esse intervalo nos últimos anos e acende um sinal importante para o setor.
Mais do que um simples recuo nos números, o cenário atual revela uma mudança estrutural: a oferta de café está mais curta. Segundo dados do Cepea, a combinação de safra menor com estoques historicamente baixos reduziu a disponibilidade do produto no mercado interno. Com menos café disponível, o ritmo das exportações desacelera naturalmente — mas não é só isso. Um dos fatores mais relevantes neste momento está dentro da porteira: o produtor.
Com preços elevados ao longo da temporada, muitos cafeicultores já garantiram boa rentabilidade e agora operam com maior poder de decisão. Isso reduz a pressão por venda imediata.
Em março de 2026, os embarques até reagiram e somaram 3,04 milhões de sacas — crescimento sobre fevereiro. Ainda assim, o avanço pontual não altera o cenário geral de restrição. O mercado segue com baixa fluidez e depende, essencialmente, da recomposição da oferta para ganhar ritmo novamente.
A expectativa está voltada para a safra 2026/27. De acordo com o Cepea, a normalização das exportações deve ocorrer apenas com o avanço da colheita, que tende a ganhar força a partir de meados de maio. Até lá, o mercado deve continuar operando com oferta limitada.