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Calagem: como corrigir o solo ainda no pré-plantio do arroz

Calagem fortalece solo para arroz irrigado


Foto: Pixabay

A correção da acidez do solo por meio da calagem continua sendo uma das principais práticas para garantir o bom desenvolvimento do arroz irrigado. Entre maio e agosto, período em que muitas áreas de várzea estão em entressafra ou em preparação para a próxima safra, produtores têm uma janela considerada favorável para aplicar o corretivo e permitir que ele reaja antes da semeadura.

A prática consiste na aplicação de corretivos, geralmente à base de carbonatos de cálcio e magnésio, com o objetivo de elevar o pH do solo, aumentar a disponibilidade de nutrientes e reduzir a presença de alumínio trocável, que limita o crescimento das raízes.

Mesmo que o alagamento característico do cultivo de arroz irrigado eleve temporariamente o pH do solo durante o ciclo da cultura, a condição química do terreno antes da inundação influencia diretamente o estabelecimento inicial das plantas e o aproveitamento da adubação. Por isso, a calagem realizada ainda no pré-plantio permanece indicada para áreas com acidez elevada e baixa saturação por bases.

Além de favorecer o desenvolvimento radicular, a prática amplia a eficiência da adubação e contribui para maior estabilidade da produtividade. O corretivo reduz a toxidez causada pelo alumínio e melhora a disponibilidade de fósforo e de outros nutrientes essenciais ao desenvolvimento da lavoura.

O período entre maio e agosto é apontado como o mais adequado porque, em grande parte das regiões produtoras, o solo apresenta melhores condições para o tráfego de máquinas. Outro fator importante é que o calcário reage lentamente, exigindo alguns meses para que seus efeitos sejam plenamente observados. Aplicações muito próximas ao plantio reduzem esse tempo de reação e podem limitar os benefícios esperados.

A necessidade de calagem deve ser definida a partir de análise de solo atualizada, realizada preferencialmente nas camadas de 0 a 10 centímetros e, quando necessário, entre 10 e 20 centímetros de profundidade. A interpretação deve considerar indicadores como pH, alumínio trocável, saturação por bases e os teores de cálcio e magnésio.

O planejamento também envolve a escolha do tipo de calcário, levando em conta o Poder Relativo de Neutralização Total (PRNT), os teores de cálcio e magnésio e a granulometria do produto. A distribuição uniforme e, quando possível, a incorporação superficial aumentam a eficiência da correção.

A prática deve ser integrada a outras estratégias de manejo, como o planejamento da adubação, o preparo da área, o sistema de irrigação e o uso de plantas de cobertura durante a entressafra. Um solo com acidez corrigida e equilíbrio nutricional tende a favorecer o estabelecimento inicial das plantas, melhorar a absorção de nutrientes e reduzir a suscetibilidade a estresses ao longo do ciclo.

O uso excessivo de calcário, no entanto, também exige atenção. A elevação exagerada do pH pode reduzir a disponibilidade de micronutrientes, como zinco, manganês e cobre, além de representar um custo adicional sem retorno proporcional para a lavoura.

Por isso, todas as decisões relacionadas à quantidade de corretivo e ao manejo da área devem ser baseadas em análises de solo recentes e ajustadas às características de cada propriedade, com acompanhamento de engenheiro agrônomo. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.

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