Calor e seca reduzem produção de grãos na Europa
A França concentrou quase metade dos danos estimados
A França concentrou quase metade dos danos estimados - Foto: Pixabay
A combinação entre solo seco e temperaturas extremas provocou uma rápida piora das condições das lavouras em diferentes áreas da Europa. Segundo análise do economista agrícola Carmine Paolo De Salvo, a onda de calor registrada em junho encontrou grande parte do continente com déficits crescentes de umidade, o que ampliou a vulnerabilidade das plantações.
Mapas de acompanhamento do solo mostram que, ao longo do período, as áreas com umidade abaixo do normal avançaram sobre regiões da Europa Ocidental, Central e Meridional. O cenário deixou as culturas mais expostas justamente quando as temperaturas mais altas chegaram, reduzindo a capacidade de reação das plantas em fases importantes do desenvolvimento.
Em quatro semanas, as previsões para a produção de grãos na União Europeia e no Reino Unido foram reduzidas em quase 9 milhões de toneladas. A perda representa uma estimativa de €2,1 bilhões em valor de produção na fazenda e evidencia o peso econômico da combinação entre seca e calor prolongado.
A França concentrou quase metade dos danos estimados. Na sequência aparecem Hungria, Espanha e Alemanha. Entre as culturas, o milho sofreu impacto mais intenso porque o calor coincidiu com a polinização, etapa decisiva para a produtividade. O trigo e a cevada de primavera também foram atingidos em outros momentos críticos do ciclo.
“Os agricultores já estão investindo em culturas de cobertura, rotações e variedades adaptadas a condições mais quentes e secas. Mas a combinação de umidade do solo esgotada e calor extremo prolongado mostra como a resiliência agrícola pode ser superada rapidamente e por que o investimento em adaptação está se tornando cada vez mais urgente”, conclui.