Câmbio e custos desafiam o agro
O conflito no Oriente Médio aparece entre os principais riscos
O conflito no Oriente Médio aparece entre os principais riscos - Foto: Divulgação
O agronegócio brasileiro entra em 2026 sob pressão externa e interna, com efeitos sobre câmbio, custos e commodities. Segundo o relatório Brazil agribusiness quarterly Q1 2026, do Rabobank, o câmbio deve chegar a R$ 5,55 por dólar ao fim do ano, influenciado por tensões geopolíticas e incertezas fiscais e eleitorais.
Mesmo com o início de cortes nos juros, o banco avalia que as taxas locais elevadas devem oferecer algum suporte ao real. Ainda assim, a volatilidade segue no radar do setor.
O conflito no Oriente Médio aparece entre os principais riscos. A região responde por 7% das exportações agrícolas brasileiras, com destaque para frango, carne bovina, açúcar, milho e soja. A instabilidade já elevou combustíveis e fertilizantes, pressionando custos.
Nos insumos, o impacto é mais visível nos fertilizantes nitrogenados, segundo o que informou o relatório do Rabobak. O fósforo também começa a mostrar sinais de pressão e pode afetar compras dos produtores. O clima preocupa. Chuvas acima da média prejudicaram a colheita da soja e o plantio da segunda safra de milho. Para o segundo semestre, as condições devem favorecer um El Niño.
No setor sucroenergético, a tensão impulsionou os preços do açúcar em Nova York e criou oportunidade de hedge para usinas. Até agora, a gasolina local subiu de forma modesta ante os movimentos internacionais.
Na soja, os preços em Chicago são sustentados por fatores geopolíticos, mas fundamentos globais mais fracos, oferta brasileira recorde e alta dos custos logísticos indicam que a alta pode perder força. As informações foram divulgadas nesta semana.