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Cana-de-açúcar emprega mais e remunera bem

O setor de açúcar e álcool é o que mais emprega na agroindústria do País


Por mais desumano que seja o corte manual da cana-de-açúcar, o setor sucroalcooleiro é o que apresenta um dos melhores indicadores de trabalho. A atividade, junto com o trabalho nos campos de soja, possui a melhor remuneração, emprego permanente e de posse de carteira de trabalho. Depois da pecuária, o setor de açúcar e álcool é também o que mais emprega na agroindústria do País.

Esses são alguns dos resultados do estudo "Observatório do Setor Sucroalcooleiro - Características do Emprego", elaborado pelo professor Rudinei Toneto Júnior e pela pesquisadora Lara Liboni, da Faculdade de Economia, Administração (FEA) da USP de Ribeirão Preto.

Toneto utilizou no estudo dados de 1995 a 2005 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE. "Muito se fala sobre as condições de trabalho do setor. Destaca-se a presença dos trabalhadores temporários, a baixa remuneração, a baixa qualificação, o privilégio a trabalhadores jovens, afirma o economista. Mas, em número de trabalhadores, a cultura canavieira supera a soja, o café, o milho, o arroz e a mandioca, perdendo apenas para a pecuária, que emprega 1,3 milhão de trabalhadores - 27,33% do total. O elevado índice de emprego na pecuária deve-se ao grande número de pequenos produtores. "Vale destacar que o setor sucroalcooleiro é o que mais cresce e com ele, a oferta de emprego, apesar da mecanização das lavouras", afirma Toneto.

Quanto à remuneração, a cultura canavieira, com salário médio de R$ 426,96 em 2005, está 27,58% acima da média salarial agrícola do País. Mas é 44,5% inferior à renda da soja . Entre 1995 e 2005, a cana proporcionou o maior aumento de remuneração média (22,84%), atrás da soja, cujo salário médio saltou 52,47% no período.

Quanto à posse de carteira assinada, o setor lidera, tanto na lavoura, com 72,83% dos trabalhadores registrados, quanto na indústria, com 93,24%. Em relação à participação dos trabalhadores permanentes sobre o total de ocupados, o setor também é líder na agricultura.

Outro dado é a qualificação dos trabalhadores. Nos canaviais, trabalhadores com zero a quatro anos de estudos são 75,15% do total, menos que o nacional, de 79,99%, mas significativamente maior do que o da soja, de 51,19%.

O estudo não faz referência à morte de cortadores de cana nos últimos anos, denunciada pela Pastoral do Migrante de Guariba (SP), para quem os óbitos se devem ao trabalho excesso e má alimentação. Mas o diretor da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Sérgio Prado, afirma que "em nenhum desses casos ficou comprovado que a exaustão foi a causa das mortes". Ele diz que a Unica orienta as usinas a cumprirem à risca todas as normas de segurança e saúde.

Para o economista Toneto, "as práticas trabalhistas inadequadas devem desaparecer, pois o setor está se internacionalizando ". Para ele, a tendência é de a mecanização melhorar as condições de trabalho, com maior grau de instrução e da renda no campo. Quanto à quantidade de emprego nos canaviais, vai depender do tamanho do crescimento do setor.

Entre os setores com piores indicadores estão a mandioca, milho e arroz. Isso mostra que as atividades com maior inserção no mercado internacional são os que apresentam empregos de melhor qualidade.

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