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Carta Leite - Reação dos preços dos lácteos no atacado

A produção de leite em alta e a dificuldade de escoamento dos produtos lácteos são os fatores de pressão no mercado interno
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O mercado de leite ao produtor está em queda desde junho. De lá para cá, considerando a média brasileira, a cotação caiu 7,5%, segundo levantamento da Scot Consultoria.

A média dos dezoito estados pesquisados ficou em R$1,087 por litro no pagamento de outubro, referente ao leite entregue em setembro, 8,9% menor na comparação com igual período do ano passado.

A produção de leite em alta e a dificuldade de escoamento dos produtos lácteos são os fatores de pressão no mercado interno.

Preços dos lácteos no atacado

O consumo interno fraco impactou diretamente sobre os preços dos produtos lácteos na indústria.

No caso do leite longa vida, o mais consumido no país, as cotações caíram 9,3% até a primeira quinzena de outubro, comparativamente com igual período do ano passado.

Os recuos se estenderam a outras categorias de produtos.

Para os queijos, considerando o queijo prato e o queijo muçarela, as quedas foram de 6,7% e 4,5%, respectivamente. O leite em pó, embalagem de 25 quilos, caiu 1,1% no período analisado.

O patamar mais baixo de preço neste elo da cadeia confirma o consumo patinando e a dificuldade de escoamento da produção. Para o leite longa vida, leite em pó e queijos muçarela e prato, os estoques foram maiores este ano. 

No entanto, quando analisamos produtos como a manteiga, leite condensado e iogurte, observamos altas nas cotações. 

O quilo da manteiga que era negociado, no mercado atacadista, em média, por R$14,95 em 2016, foi comercializado, em média, em R$20,11/kg este ano, uma alta de 34,5%. Para o leite condensado e o iogurte as valorizações no período foram de 6,5% e 5,1%, nesta sequência.

Considerações finais

Para aumentar o volume de negócios, os atacadistas realizaram promoções, reduzindo de certa forma os estoques nos últimos meses. Além disso, as margens negativas, especialmente para o leite longa vida, resultaram em redução da produção pelas indústrias.

Desta forma, a pressão de baixa sofreu um alívio, inclusive com reajustes positivos nos preços do leite longa vida (UHT) na primeira quinzena de outubro.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, a cotação média subiu 3,1%, e ficou em R$2,14 por litro. Houve altas também para a muçarela e manteiga na última quinzena.

Do lado do consumo, espera-se uma retomada do crescimento nos próximos meses, porém, ainda em um ritmo mais fraco que o observado antes da crise.

Lembrando que, no período de final de ano normalmente cai o consumo de lácteos, especialmente de leite fluído, mas por outro lado temos uma demanda maior por manteiga, leite condensado e creme de leite, em função das festividades de final de ano.

Alguns indicadores econômicos colaboram para este cenário de aumento de demanda, tais como: recuo da taxa de desemprego, avanço do PIB (produto interno bruto) e expectativa de crescimento das contratações temporárias, que poderão melhorar o consumo interno em diversos setores, no caso dos lácteos, sobretudo sobre a demanda por produtos de maior valor agregado.

Além disso, se considerarmos o quadro de oferta de leite mais ajustado no mercado interno este ano e no ano que vem (crescimentos mais comedidos da produção), a expectativa é de preços mais firmes.
 

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