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O avanço da colheita da soja alcançou 95% da área cultivada no Rio Grande do Sul, segundo o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (14) pela Emater/RS-Ascar. As operações avançaram na maior parte do período favorecidas por intervalos de tempo firme e boas condições de trafegabilidade, embora as chuvas registradas em 7 de maio tenham provocado interrupções, principalmente em áreas com menor drenagem e relevo mais restritivo.
As áreas ainda não colhidas correspondem, principalmente, às lavouras de semeadura tardia e de segunda safra, que estão em fase de maturação ou prontas para a colheita. Também permanecem em campo parcelas tardias em enchimento de grãos, especialmente em áreas irrigadas ou implantadas fora da janela preferencial de plantio, mas sem impacto relevante no total produzido.
A Emater/RS-Ascar aponta elevada variação de produtividade entre regiões e ambientes de cultivo, reflexo da irregularidade das chuvas ao longo do ciclo, sobretudo nos períodos mais importantes para definição do rendimento. Durante o período, também foram registrados problemas de desuniformidade na maturação e aumento da presença de impurezas nos grãos.
As condições de alta umidade favoreceram ainda o avanço de doenças foliares e da presença de percevejos em parte das áreas remanescentes. Segundo o levantamento, as dificuldades para realizar pulverizações preventivas e de controle contribuíram para o aumento dos problemas fitossanitários.
A produtividade média estimada pela Emater/RS-Ascar é de 2.871 quilos por hectare, enquanto a área cultivada no Estado chega a 6.624.988 hectares.
Na regional de Bagé, na Fronteira Oeste, a colheita está em fase final. Em Maçambará, 95% dos 55 mil hectares foram colhidos, mas as áreas remanescentes de safrinha apresentam produtividade reduzida em razão do porte menor das plantas e do encurtamento do ciclo causado pelo plantio tardio. Em Alegrete, 80% dos 95 mil hectares já foram colhidos, com rendimento médio próximo de 2.100 quilos por hectare. Em São Gabriel, diante da previsão de chuva, produtores anteciparam a colheita mesmo com umidade dos grãos acima de 18%, registrando produtividade em torno de 2.500 quilos por hectare. Na Campanha, o desempenho operacional foi favorecido pela baixa umidade da palha e dos grãos, embora ainda existam áreas com excesso de umidade no solo. Em Hulha Negra, as melhores lavouras alcançam até 2.700 quilos por hectare, mas a maior parte varia entre 1.800 e 2.100 quilos.
Na regional de Caxias do Sul, a colheita foi concluída na Serra e restam menos de 10% das áreas nos Campos de Cima da Serra. A produtividade média regional está estimada em aproximadamente 3 mil quilos por hectare, abaixo da expectativa inicial.
Na regional de Erechim, a colheita chegou a 99% da área cultivada, restando apenas 1% das lavouras maduras por colher. A produtividade média regional está em torno de 3.700 quilos por hectare, variando entre 2.200 e 4.200 quilos, conforme o município. As cultivares de ciclo normal apresentaram melhor desempenho produtivo.
Na regional de Ijuí, a colheita avançou apenas 1 ponto percentual e atingiu 95% da área cultivada. A produtividade média está próxima de 3 mil quilos por hectare. As áreas de segundo cultivo apresentam bom desempenho, mas houve aumento na incidência de doenças foliares em lavouras ainda em enchimento de grãos. O levantamento também aponta baixa adoção de plantas de cobertura após a colheita.
Na regional de Passo Fundo, a colheita está praticamente encerrada, restando apenas áreas sem expressão estatística. A produtividade média está em torno de 3.500 quilos por hectare, embora existam variações pontuais entre lavouras e microrregiões.
Na regional de Pelotas, 74% da área já foi colhida. A produtividade média permanece próxima de 2.800 quilos por hectare. Em parte das áreas, produtores realizaram a semeadura antecipada de forrageiras de inverno, especialmente azevém, utilizando aviação agrícola e drones antes mesmo da retirada da soja.
Na regional de Santa Maria, em Tupanciretã, a colheita foi tecnicamente encerrada nos 147 mil hectares cultivados, com produtividade estimada em 3 mil quilos por hectare. Na região, a média deve ficar próxima de 2.900 quilos por hectare.
Na regional de Santa Rosa, 90% das áreas já foram colhidas, enquanto 8% estão maduras e 2% seguem em enchimento de grãos. A recorrência das chuvas dificultou a conclusão dos trabalhos, especialmente em áreas baixas com excesso de umidade, provocando atolamentos e danos superficiais. Nas áreas implantadas sobre resteva de milho de sequeiro, a maturação se intensificou, enquanto lavouras irrigadas seguem em enchimento de grãos. Algumas áreas apresentam maturação desuniforme, exigindo dessecação pré-colheita, além de elevada presença de percevejos.
Na regional de Soledade, no Alto da Serra do Botucaraí e Centro Serra, a colheita está praticamente concluída, restando apenas áreas pontuais de plantio tardio. No Baixo Vale do Rio Pardo, os trabalhos superam 97% da área. As chuvas registradas no fim do período interromperam temporariamente as operações. Há relatos frequentes de produtividade em torno de 3.600 quilos por hectare, mas a média regional deve ficar próxima de 3 mil quilos.