Concorrência aperta e muda o futuro do milho
No mercado interno, o avanço do etanol de milho também altera o equilíbrio
No mercado interno, o avanço do etanol de milho também altera o equilíbrio - Foto: Divulgação
O mercado global de milho apresenta oferta confortável, mas a disputa entre origens, as políticas de biocombustíveis e os entraves logísticos estão mudando a dinâmica do comércio. A disponibilidade deixou de ser o único fator relevante, enquanto demanda, qualidade e escoamento ganham peso.
No workshop de milho do IGC London 2026, Daniele Siqueira, da AgRural Commodities Agrícolas, avaliou que o Brasil tem milho suficiente. O principal desafio está na demanda e na competição. Desde 2024, o país enfrenta a concorrência do milho barato dos Estados Unidos, enquanto a Argentina retorna ao mercado com boa safra.
No mercado interno, o avanço do etanol de milho também altera o equilíbrio. A expectativa é de que cerca de 26 milhões de toneladas sejam destinadas ao biocombustível nesta temporada. Em menos de uma década, o setor considera possível que esse volume chegue a aproximadamente 50 milhões de toneladas.
Gorbachov Nikolay, presidente da Ukrainian Grain Association, indicou potencial teórico de exportação de cerca de 27 milhões de toneladas de milho pela Ucrânia na próxima campanha. O volume embarcado, porém, dependerá da logística, da segurança dos portos e das interrupções provocadas pela guerra.
Na Europa, Nicolas Coudry-Mesny, presidente da FEFAC, destacou que a indústria de rações pode alternar entre milho, trigo, cevada e diferentes farelos conforme preço e valor nutricional. Ao mesmo tempo, riscos de qualidade, como micotoxinas, ganham importância.
Gaurav Jain, da AgPulse Analytica, observou que a política de etanol modificou o balanço de milho da Índia. Se a produção continuar crescendo, o país poderá ganhar espaço nas discussões sobre exportações. O cenário mostra que o mercado combina oferta, energia, logística, qualidade e competição entre origens.