Preços da soja seguem fortes e aceleram vendas no Brasil
Preços firmes e decisão do STF movimentam o mercado
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Os preços da soja permaneceram relativamente estáveis no Brasil nesta semana, mesmo com a desvalorização do Real e os prêmios próximos de US$ 1,50 por bushel para agosto. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), as cotações seguem próximas dos melhores níveis do ano, favorecendo o avanço da comercialização pelos produtores. Na quinta-feira (13), o dólar chegou a R$ 5,19 durante o pregão. Apesar da pressão cambial, os preços da soja continuaram sustentados nas principais regiões produtoras.
No Rio Grande do Sul, as principais praças mantiveram os valores em R$ 123,00 por saca. Nas demais regiões do país, as cotações oscilaram entre R$ 122,00 e R$ 131,00 por saca.
Nos portos, o valor FOB permaneceu entre R$ 145,00 e R$ 155,00 por saca. Segundo dados divulgados pela CEEMA, esse cenário mantém a soja próxima dos melhores níveis registrados no ano e estimula os produtores brasileiros a avançarem nas vendas.
Em Rio Grande (RS), a soja da safra 2026, com entrega entre outubro e novembro e pagamento em janeiro de 2027, foi indicada a R$ 151,50 por saca. De acordo com dados da Brandalizze Consulting citados pela CEEMA, o valor chega a R$ 157,00 por saca quando o pagamento ocorre em 25 de maio.
Para a soja de 2027, os indicativos variam de R$ 138,50 a R$ 144,00 por tonelada, dependendo dos prazos de pagamento e entrega. Considerando condições semelhantes de câmbio e prêmio, o preço indicado ao produtor de soja gaúcho para a próxima safra, a partir da realidade observada no porto, fica entre R$ 106,00 e R$ 110,00 por saca.
Outro fator de impacto para o setor ocorreu nesta semana, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a legalidade da Moratória da Soja. Segundo dados divulgados pela CEEMA, o acordo é um pacto voluntário firmado em 2006 entre empresas exportadoras, indústrias e organizações civis. A iniciativa estabelece restrições à compra de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas após julho de 2008.
A regra vale mesmo quando o desmatamento ocorre dentro dos limites permitidos pelo Código Florestal. O setor produtivo argumentava que a Moratória restringe a produção legal autorizada pela legislação ambiental e gera prejuízos bilionários ao comércio, além de defender a necessidade de indenizações.
De outro lado, ambientalistas sustentam que o acordo foi essencial para reduzir drasticamente o avanço do desmatamento na Amazônia ao estabelecer uma barreira comercial para a produção originada de determinadas áreas.
O STF entendeu que o setor privado possui autonomia para estabelecer critérios comerciais e decidir de quais produtores ou regiões adquirir a soja. O reconhecimento da legalidade da Moratória ocorre em um momento em que os preços da soja permanecem próximos dos melhores níveis do ano no mercado brasileiro, cenário que vem estimulando a comercialização da produção.