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Selic alta dificulta saída para dívida rural

A decisão do Copom ocorreu em um ambiente de cautela


A decisão do Copom ocorreu em um ambiente de cautela A decisão do Copom ocorreu em um ambiente de cautela - Foto: Pixabay

O custo do crédito segue como um dos principais fatores de pressão sobre a atividade rural no Brasil, mesmo após a redução da taxa básica de juros. Com a Selic em 14,50% ao ano, o financiamento para custeio da safra permanece elevado, em nível considerado alto frente a outros mercados agrícolas, o que limita a competitividade, reduz margens e dificulta a reorganização financeira de produtores.

A decisão do Copom ocorreu em um ambiente de cautela. O Banco Central identificou sinais de moderação na atividade econômica, mas ainda avalia que a inflação e as expectativas seguem acima da meta. A autoridade monetária também considera elevados os riscos externos, especialmente os ligados aos conflitos no Oriente Médio, com possíveis efeitos sobre commodities, petróleo, câmbio e preços internos.

Esse cenário pesa diretamente sobre o agro, setor dependente de financiamento para custeio, aquisição de insumos, máquinas, tecnologia, armazenagem e manutenção da produção até a venda da safra. Com juros altos, uma parcela maior da receita precisa ser destinada ao pagamento de encargos e à rolagem de compromissos, reduzindo espaço para investimentos.

O Rabobank avalia que o ambiente externo segue desafiador. A instituição aponta riscos geopolíticos ainda elevados, apesar da prorrogação indefinida do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, diante da manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz. O banco projeta a taxa Fed Funds entre 3,50% e 3,75% na reunião de abril e estima o dólar a R$ 5,55 no fim de 2026, considerando incerteza fiscal, ano eleitoral e menor diferencial entre juros internos e externos.

Para o produtor rural, a combinação de crédito caro e possível valorização do dólar é sensível. Custos dolarizados, como fertilizantes, defensivos, máquinas, peças, combustíveis e logística, podem subir, enquanto o benefício cambial para exportadores não elimina a pressão sobre quem está endividado ou depende de insumos importados.

Nesse contexto, avança a discussão sobre a renegociação das dívidas do crédito rural. A proposta apresentada pelo governo ao senador Renan Calheiros deve ser incorporada ao relatório sobre securitização em análise na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. O texto prevê prorrogação de operações até 30 de abril de 2026, abrangendo contratos firmados até 31 de dezembro de 2025 e inadimplências registradas entre 1º de julho de 2024 e 30 de abril de 2026.

A medida pode alcançar mais de 100 mil operações e cerca de R$ 81,6 bilhões em dívidas, sendo R$ 7 bilhões do Pronaf, R$ 11,2 bilhões do Pronamp e R$ 63,3 bilhões dos demais produtores. O corte da Selic reduz parte da pressão, mas não altera de forma imediata a realidade do campo, que segue exposto a juros elevados, câmbio sensível e dificuldades para financiar a produção.
 

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