China decepciona e soja fecha em queda forte
No Sul do Brasil, a colheita está praticamente encerrada
No Sul do Brasil, a colheita está praticamente encerrada - Foto: Canva
A soja teve um dia de pressão no mercado internacional, com queda nos principais contratos em Chicago e cautela no físico brasileiro diante de custos logísticos, clima e demanda externa. Segundo a TF Agroeconômica, o contrato de julho na CBOT fechou em baixa de 0,88%, a US$ 11,86 por bushel, enquanto agosto recuou 0,84%, a US$ 11,85 por bushel.
O movimento refletiu a perda de confiança do mercado na dimensão das compras chinesas anunciadas anteriormente pela Casa Branca. A pressão também veio do avanço rápido do plantio de primavera nos Estados Unidos, com estimativas privadas indicando 82% da área semeada, além da retração nas importações europeias de grão e farelo da safra 2025/26. As inspeções semanais de exportação dos EUA, porém, somaram 571,6 mil toneladas e superaram o teto das projeções privadas.
No Sul do Brasil, a colheita está praticamente encerrada. No Rio Grande do Sul, os trabalhos atingem 98% da área, com produtividade média de 2.871 kg por hectare e forte disparidade regional. Lavouras irrigadas superaram 4.000 kg por hectare, enquanto áreas de solos arenosos ficaram abaixo de 1.000 kg. O porto de Rio Grande manteve a saca a R$ 130,00.
Em Santa Catarina, a colheita foi concluída nas principais regiões, mas o frete elevado e a dependência de armazenagem terceirizada seguem limitando a autonomia comercial dos produtores. No Paraná, a produção fechou em 21,7 milhões de toneladas, enquanto o debate se concentra nos custos de transporte, no corte de 42% do seguro rural e nos efeitos da legislação ambiental sobre exportações.
No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul consolidou safra recorde de 16,74 milhões de toneladas, mas enfrenta déficit de armazenagem e forte dependência da China, destino de 84,3% das exportações. Em Mato Grosso, o custo projetado para 2026/27 chegou a R$ 4.286,89 por hectare, exigindo 68,65 sacas por hectare para equilíbrio financeiro, em meio a fretes mais caros e gargalos de estocagem.