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Chocolate mais caro: entenda por que o preço ainda não caiu para o consumidor

Indústria pode levar até 12 meses para repassar queda do cacau


Foto: Pixabay

Os preços do chocolate devem pesar no bolso dos brasileiros neste Dia dos Namorados, especialmente nas linhas premium — e a explicação vai além da data comemorativa. Segundo Lucca Bezzon, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a combinação entre custos históricos elevados, incertezas na produção global de cacau e a lentidão com que as quedas de preço chegam ao consumidor final explica por que os presentes de junho continuam caros.

De acordo com Bezzon, o cacau chegou a atingir US$ 12,5 mil por tonelada na Bolsa de Nova York em 2024 — um pico histórico que forçou a indústria a reformular produtos, reduzir gramaturas e reajustar preços. Hoje, as cotações no mercado futuro recuaram para a faixa entre US$ 3 mil e US$ 4 mil por tonelada, um patamar bem mais próximo da normalidade. O problema é que essa correção ainda não chegou às prateleiras.

"Os efeitos da recente queda do cacau levam tempo para chegar às prateleiras", explica o analista. No início de 2026, os preços ainda estavam próximos de US$ 6 mil por tonelada. Entre gestão de estoques, contratos e estratégias de compra, o setor costuma levar de oito a doze meses para absorver mudanças mais significativas nos custos da matéria-prima.

Os chocolates premium — que ganham protagonismo em datas como o Dia dos Namorados — são os mais afetados por esse descompasso. Além do tempo de repasse, há outro fator em jogo: a cautela da indústria diante das incertezas sobre a recuperação dos estoques mundiais de cacau, especialmente considerando os riscos climáticos que ainda rondam as principais regiões produtoras da África e do Brasil.

Segundo Bezzon, esse cenário cria uma resistência do setor em retomar completamente os padrões anteriores de produção e formulação. "O receio de novas oscilações na oferta e nos preços faz com que os chocolates de maior valor agregado continuem pressionados", afirma. Para o consumidor, o resultado prático é simples: pagar mais — mesmo com o cacau valendo menos.

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