Choque global: guerra já afeta alimentos
Os efeitos já são visíveis nos mercados de energia
Os efeitos já são visíveis nos mercados de energia - Foto: Pixabay
O conflito no Oriente Médio avança para sua quinta semana, com impactos crescentes sobre mercados globais e cadeias de abastecimento, de acordo com o Rabobank. A recusa de uma proposta de cessar-fogo amplia as incertezas e mantém elevados os riscos para fluxos comerciais e logísticos na região.
Segundo relatos, o Irã rejeitou uma proposta apresentada pelos Estados Unidos em 25 de março, avaliando que não haveria base lógica para negociar diante de acordos anteriores descumpridos. Ao mesmo tempo, o país mantém ataques contra Israel e Estados do Golfo Pérsico. A travessia pelo Estreito de Hormuz segue drasticamente reduzida, apesar de ofertas de proteção a embarcações, refletindo o aumento do risco na navegação.
Os efeitos já são visíveis nos mercados de energia. O petróleo voltou a se aproximar de 120 dólares por barril em 19 de março, em meio à volatilidade e aos danos em infraestruturas estratégicas, que levantam preocupações sobre interrupções prolongadas na oferta global. Ainda assim, estoques confortáveis de grãos e oleaginosas entre grandes exportadores têm limitado altas mais expressivas nos preços agrícolas no curto prazo.
No mercado de fertilizantes, o foco mudou. As preocupações iniciais com atrasos logísticos e paralisações deram lugar a temores sobre impactos duradouros na capacidade produtiva. Custos mais altos de diesel, frete e seguro, somados à maior demanda por insumos ligados a biocombustíveis, já pressionam preços. Ao mesmo tempo, a possível redução na oferta de fertilizantes e seus custos elevados podem afetar área plantada e decisões de cultivo, sustentando preços mais altos no médio prazo. Medidas governamentais, como restrições às exportações adotadas por alguns países, também tendem a se intensificar.