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Chuvas elevam risco de ferrugem no cafeeiro

Ferrugem ameaça safra em períodos de chuva


Foto: Divulgação

A ferrugem do cafeeiro, causada pelo fungo Hemileia vastatrix, exige um manejo mais rigoroso em períodos de verão chuvoso. Temperaturas amenas a elevadas, combinadas com alta umidade, favorecem o desenvolvimento da doença entre novembro e março. Nesse cenário, especialistas alertam que o calendário de aplicação de fungicidas, os produtos utilizados e os intervalos entre as pulverizações precisam ser ajustados para reduzir a desfolha, preservar a área foliar e manter a produtividade da safra atual e da seguinte.

Considerada a principal doença foliar do cafeeiro arábica, a ferrugem também pode causar prejuízos expressivos em lavouras de conilon e robusta. Em anos de maior frequência de chuvas, dias nublados e elevada umidade noturna, o fungo encontra condições favoráveis para permanecer ativo por mais tempo. Nessas situações, programas baseados apenas em calendários fixos ou em poucas aplicações estratégicas tendem a perder eficiência, aumentando o risco de desfolha entre o fim do verão e o outono.

A expectativa de verões com chuvas mais concentradas e umidade elevada entre novembro de 2025 e junho de 2026 reforça a necessidade de um planejamento mais dinâmico do controle da doença. Entre os pontos que precisam ser revistos estão o momento de iniciar as aplicações, a escolha entre fungicidas protetores, sistêmicos e mesostêmicos, os intervalos entre as pulverizações e a integração do controle químico com práticas de nutrição, poda e manejo fitossanitário da lavoura.

O ciclo da ferrugem começa com a deposição de esporos sobre as folhas, favorecida por respingos de chuva e pelo vento. Na presença de água livre, como orvalho, chuva ou neblina, e temperaturas entre aproximadamente 18°C e 25°C, os esporos germinam e penetram pelos estômatos das folhas. Após um período de incubação, surgem as pústulas alaranjadas na face inferior das folhas, que liberam novos esporos e reiniciam o processo de infecção. Em verões chuvosos, o tempo de molhamento foliar aumenta e o intervalo entre os ciclos da doença diminui, acelerando sua disseminação.

A principal consequência econômica da ferrugem é a desfolha precoce. Com menos folhas, a planta reduz sua capacidade fotossintética durante o enchimento dos grãos e compromete a formação de ramos e gemas que sustentarão a safra seguinte. Além disso, cafeeiros debilitados tornam-se mais suscetíveis a outras doenças, como a cercosporiose, e a pragas, como o bicho-mineiro.

Em áreas onde o controle não é ajustado às condições climáticas, é comum observar o aumento da severidade da doença a partir de janeiro, seguido por intensa queda de folhas entre fevereiro e abril. O resultado são plantas que entram no período seco com pouca área foliar e menor capacidade de recuperação.

O planejamento do manejo deve considerar fatores como o histórico da área, o nível de suscetibilidade da cultivar, o porte das plantas, a arquitetura da lavoura e as condições climáticas observadas e previstas. Também é importante acompanhar a evolução da doença por meio do monitoramento das folhas do terço médio da planta, verificando não apenas a presença de pústulas, mas a velocidade de avanço da infecção.

Em lavouras com histórico de alta incidência da doença e sob condições de chuvas frequentes, a recomendação é antecipar o uso de fungicidas sistêmicos e reduzir os intervalos entre as aplicações, evitando que o fungo encontre períodos sem proteção para se estabelecer.

O programa de controle deve ser planejado ao longo de toda a estação chuvosa. No início das chuvas, fungicidas protetores podem ser utilizados em áreas de menor risco, enquanto propriedades mais suscetíveis costumam iniciar o manejo com produtos sistêmicos ou mesostêmicos para proteger as folhas novas. Durante o verão, quando a pressão da doença aumenta, a combinação entre fungicidas sistêmicos e protetores amplia o período de proteção e reduz o risco de perdas. No fim da estação chuvosa, o objetivo passa a ser preservar o maior número possível de folhas até a conclusão do enchimento dos grãos.

Outro ponto considerado importante é a alternância dos mecanismos de ação dos fungicidas para reduzir o risco de resistência do fungo. Formulações comerciais prontas oferecem maior segurança quanto à compatibilidade dos ingredientes, enquanto misturas em tanque devem ser realizadas apenas com respaldo técnico.

A frequência das chuvas também influencia diretamente os intervalos entre as pulverizações. Em períodos com muitos dias consecutivos de precipitação, mesmo produtos de maior persistência podem perder eficiência, exigindo novas aplicações em intervalos menores. Já em períodos de estiagem temporária, esses intervalos podem ser ampliados, desde que a ferrugem permaneça sob controle.

Especialistas destacam ainda que o manejo da ferrugem deve ser integrado a outras práticas agronômicas. A manutenção do equilíbrio nutricional das plantas, podas que favoreçam maior entrada de luz e circulação de ar, o controle de outras doenças e pragas e o uso de cultivares com maior resistência parcial contribuem para reduzir a pressão da doença e aumentar a eficiência do controle químico.

O uso correto de fungicidas também exige atenção às recomendações de rótulo e bula, ao receituário agronômico, ao uso de equipamentos de proteção individual e às normas de armazenamento, transporte e descarte de embalagens. A recomendação é evitar misturas improvisadas e sempre contar com orientação técnica para definir estratégias de aplicação.

Diante da maior frequência de verões chuvosos, o monitoramento constante da lavoura, o registro das condições climáticas e o acompanhamento da evolução da ferrugem tornam-se ferramentas importantes para ajustar o manejo ano após ano e reduzir os impactos da doença sobre a produtividade do cafeeiro.

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