CI

Chuvas no RS e umidade no PR preocupam produtores de trigo

O cenário da safra brasileira também preocupa em termos de volume


Foto: Canva

As fortes e constantes chuvas no Rio Grande do Sul e o excesso de umidade nas lavouras do Paraná estão preocupando os produtores de trigo nesta reta final de plantio. A situação chama atenção justamente na semana em que o preço do cereal disparou em Chicago, chegando ao maior valor em quase três anos, em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia, dois dos maiores produtores mundiais do grão.

Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), o plantio de trigo no Rio Grande do Sul já está praticamente encerrado, mas as chuvas frequentes no estado seguem sendo motivo de atenção para os produtores. No Paraná, a preocupação é com o excesso de umidade nas lavouras já implantadas. Em Santa Catarina, o plantio avançava e já cobria 77% da área esperada.

No campo da colheita, o ritmo segue mais lento que o normal. De acordo com a CEEMA, até o momento apenas 1,3% da área de trigo do Brasil estava colhida, contra uma média histórica de 2,5% para a mesma época do ano. Em Goiás, a colheita já havia avançado para 40% da área plantada, e em Minas Gerais, para 5%.

O cenário da safra brasileira também preocupa em termos de volume. Segundo projeções da consultoria Safras & Mercado, repassadas pela CEEMA, a área plantada com trigo no país deve somar 1,9 milhão de hectares em 2026, uma queda de 20% em relação ao ano anterior. Com isso, a produção nacional deve cair 27,9%, para 5,86 milhões de toneladas, com o rendimento médio das lavouras recuando cerca de 10%. Entre os motivos apontados estão o aumento no preço dos fertilizantes, o impacto das guerras no custo dos insumos agrícolas, a concorrência do trigo importado e o alto endividamento dos produtores, muitos já inadimplentes.

No Rio Grande do Sul, maior produtor nacional de trigo, a área plantada deve cair 28,6%, para 750 mil hectares, com produção recuando 33,3%, para 2,4 milhões de toneladas, segundo a mesma consultoria. No Paraná, segundo maior produtor do país, a área deve diminuir 13,5%, para 740 mil hectares, com produção estimada em 2,2 milhões de toneladas, queda de 21,4%.

Enquanto isso, o preço do trigo avança forte no mercado internacional. Segundo a CEEMA, o bushel chegou a atingir US$ 7,05 na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta semana, o maior valor desde 27 de julho de 2023. Na quinta-feira (23), o mercado perdeu parte da força e fechou em US$ 6,96 por bushel, ainda assim acima dos US$ 6,74 da semana anterior. O principal motivo da alta é a guerra entre Rússia e Ucrânia, que voltou a se agravar e afeta diretamente as exportações russas de trigo. A consultoria russa Sovecon, citada pela CEEMA, revisou para baixo a previsão de exportações da Rússia em julho, com redução de 500 mil toneladas, para 1,5 milhão de toneladas. A colheita de trigo no país também está atrasada: até 17 de julho, haviam sido colhidas apenas 15,9 milhões de toneladas de um total esperado entre 88 e 89 milhões de toneladas.

No Brasil, o preço do trigo ficou entre R$ 70,00 e R$ 71,00 por saca nas principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul e do Paraná, de acordo com a CEEMA. Com a queda esperada na produção nacional, a Conab projeta que as importações brasileiras de trigo devem superar 8 milhões de toneladas no próximo ano comercial, aumentando a dependência do país em relação ao trigo argentino. No primeiro semestre de 2026, o Brasil já havia importado menos trigo, com 2,77 milhões de toneladas, contra 3,57 milhões no mesmo período de 2025 – mas a CEEMA espera que esse quadro mude no segundo semestre deste ano e continue em 2027, por causa da forte queda esperada na safra nacional.

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7