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Ciclo do feijão exige atenção ao manejo da água

Manejo hídrico é chave para o feijão


Foto: Canva

O conhecimento sobre o ciclo do feijoeiro e sua relação com a disponibilidade de água tem ganhado importância diante da maior variabilidade climática observada nas regiões produtoras. Com raízes pouco profundas e ciclo relativamente curto, a cultura apresenta elevada sensibilidade tanto à falta quanto ao excesso de água, especialmente durante o florescimento e o enchimento dos grãos, fases consideradas decisivas para a produtividade.

De acordo com informações técnicas sobre o manejo da cultura entre dezembro de 2025 e dezembro de 2026, períodos de estiagem prolongada e eventos de chuva concentrados tendem a aumentar os riscos para os produtores. Nesse cenário, o planejamento da semeadura, da irrigação e das práticas de conservação do solo passa a ser uma ferramenta importante para reduzir perdas.

O feijoeiro comum (Phaseolus vulgaris L.) é cultivado em diferentes épocas do ano, tanto em sistemas de sequeiro quanto irrigados. Essa flexibilidade amplia as oportunidades de produção, mas também expõe a cultura a condições climáticas adversas. “O feijoeiro comum é uma cultura de ciclo curto e raízes pouco profundas, o que torna a planta bastante sensível à falta e ao excesso de água, principalmente nas fases de florescimento e enchimento de grãos”, destaca o material técnico.

O ciclo da cultura varia, em média, entre 70 e 95 dias, dependendo da cultivar utilizada, do tipo de crescimento da planta e das condições ambientais. Durante esse período, a demanda por água muda conforme o estágio de desenvolvimento.

Nos primeiros dias após a emergência, a planta necessita de umidade suficiente para garantir o estabelecimento do estande. Com o avanço do crescimento vegetativo, a exigência hídrica aumenta gradativamente. O período de florescimento e formação das vagens é apontado como o mais vulnerável ao estresse hídrico, quando tanto a seca quanto o excesso de água podem comprometer diretamente a formação da produção.

Segundo o documento, a falta de água nesse estágio pode provocar queda de flores, redução no número de vagens e diminuição do potencial produtivo. Já durante o enchimento dos grãos, o déficit hídrico pode resultar em grãos menores e com menor peso. “Parte do potencial produtivo perdido nas fases de florescimento e frutificação geralmente não é recuperado”, ressalta o texto.

O excesso de água também preocupa os produtores. Solos saturados reduzem a disponibilidade de oxigênio para as raízes, favorecem o surgimento de doenças e comprometem o desenvolvimento das plantas. Em fases mais avançadas, chuvas intensas podem afetar a qualidade comercial dos grãos e dificultar a colheita.

A vulnerabilidade da cultura está relacionada ao sistema radicular superficial do feijoeiro, que explora principalmente os primeiros 30 centímetros do solo. Essa característica faz com que a planta responda rapidamente às alterações de umidade, sofrendo tanto com veranicos curtos quanto com encharcamentos provocados por chuvas intensas ou drenagem inadequada.

Diante desse cenário, especialistas destacam a importância de alinhar o ciclo das cultivares com as condições climáticas de cada região. A escolha correta da variedade e da época de semeadura pode evitar que as fases mais sensíveis coincidam com períodos historicamente marcados por estiagens ou excesso de precipitação.

“O manejo pode ser orientado pela escolha da cultivar, pela definição adequada da data de semeadura e pelo uso de práticas que aumentem a capacidade do solo de armazenar água”, informa o documento.

O monitoramento constante da umidade do solo também é apontado como uma estratégia importante. Ferramentas como sensores, observações em campo e avaliações do perfil do solo ajudam a identificar situações de risco e permitem ajustes no manejo da irrigação antes que os danos se tornem irreversíveis.

Além do controle da água, o texto ressalta que práticas de conservação do solo contribuem para aumentar a resiliência da lavoura. A manutenção de palhada, o plantio direto, o uso de terraços e a rotação de culturas favorecem a infiltração e a retenção de água, reduzindo os impactos causados por períodos de seca ou chuvas intensas.

A fertilidade do solo também influencia a capacidade da planta de enfrentar adversidades climáticas. Solos corrigidos e com nutrição equilibrada favorecem o desenvolvimento radicular, permitindo melhor aproveitamento da água disponível no perfil.

Segundo o material, o sucesso da produção depende de uma visão integrada do manejo. “O manejo do ciclo e do estresse hídrico não pode ser visto isoladamente”, afirma o texto, destacando que a combinação entre conservação do solo, irrigação adequada, rotação de culturas e controle fitossanitário fortalece a capacidade da cultura de enfrentar oscilações climáticas.

Com a previsão de maior irregularidade nas chuvas ao longo das próximas safras, o planejamento antecipado e o acompanhamento técnico são apontados como medidas fundamentais para preservar o potencial produtivo do feijão e reduzir riscos ao longo do ciclo da cultura. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.

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