Citros: preços melhoram em algumas regiões do Rio Grande do Sul
Colheita de citros avança no RS
Foto: Seane Lennon
A colheita de citros avança em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, enquanto os produtores enfrentam cenários distintos de preços e comercialização. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar no Informativo Conjuntural de quinta-feira (3), laranjas e bergamotas estão em diferentes fases de colheita, com altas nas cotações em algumas áreas e valores ainda baixos em outras.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, a colheita de citros está em andamento. Na Ceasa/Serra, a laranja Umbigo subiu de R$ 2,45 para R$ 2,58 por quilo, melhorando a remuneração dos produtores.
Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, a comercialização de bergamota também é observada na região. Apesar das dificuldades de escoamento relatadas pelos produtores, os preços praticados ficaram acima dos registrados na semana anterior.
A bergamota Montenegrina passou de R$ 2,75 para R$ 2,94 por quilo, segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar.
Na região de Erechim, a colheita das variedades de laranja Salustiana, Iapar, Umbigo Navelina e Rubi foi encerrada. Os frutos foram comercializados com preços muito baixos, em torno de R$ 0,40 por quilo.
A colheita da laranja Valência começou no início de agosto. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, os citricultores estão desanimados diante dos baixos valores ofertados pelas indústrias processadoras, cenário agravado pela retração da demanda e dos preços da laranja destinada ao mercado in natura.
A laranja Valência destinada à indústria de suco está sendo comercializada a R$ 380,00 por tonelada. Há expectativa de leve recuperação das cotações a partir de setembro, impulsionada pela subvenção aprovada e pela elevação gradual das temperaturas, que tende a estimular o consumo de suco e de frutas in natura.
Na região de Lajeado, a expectativa é de uma safra normal em volume de produção e qualidade dos frutos. O cenário comercial, porém, continua desafiador, com baixa procura e preços reduzidos.
Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, a situação é especialmente difícil para a laranja Valência destinada à indústria de suco, comprometendo a cobertura dos custos de colheita em algumas localidades.
Nos pomares de bergamota, há intensa floração, o que poderá demandar manejo de raleio. Também são observadas quedas pontuais de frutos provocadas pela pinta-preta, doença causada pelo fungo Phyllosticta citricarpa, mas sem perdas significativas até o momento.
A colheita da bergamota Montenegrina prossegue com boa produtividade. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, a expectativa é de elevação das cotações nas próximas semanas em razão da diminuição da carga nos pomares.
Em Montenegro, 60% dos pomares de bergamota Montenegrina já foram colhidos, com diferença de preço para o produto entregue no mercado consumidor. A colheita da laranja Valência alcança 30% dos pomares.
Em Maratá, a colheita da bergamota Montenegrina atingiu 70% da área cultivada, com variação conforme a qualidade dos frutos. A bergamota Murcott chega a 30% da área, enquanto a lima ácida Tahiti está em fase de comercialização.
Em Arvorezinha, o frio intenso e as geadas registradas entre 23 e 25 de agosto podem ter afetado os pomares em floração. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, os tratamentos fitossanitários no município estão concentrados no controle da podridão floral, ou estrelinha, causada por Colletotrichum acutatum, com o objetivo de evitar a queda de flores.
A colheita da laranja Valência alcança apenas 5% na região, com diferenças de cotação entre os mercados in natura e industrial. As cultivares de laranja Monte Parnaso e Lane Late, por sua vez, atingiram 50% de colheita.
Em São José do Sul, a colheita da laranja Valência se aproxima do fim, com 90% da área já colhida. A laranja do Céu Paulista, de ciclo tardio, também chega a 90%, enquanto a Monte Parnaso alcança 20%.
A colheita da bergamota Montenegrina chega a 70% em São José do Sul. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, os produtores também relatam pouca movimentação na comercialização do limão Tahiti, embora exista expectativa de melhora nas vendas no final do ano.
O cenário mostra que a safra de citros apresenta ritmos diferentes entre as regiões produtoras do Rio Grande do Sul. Enquanto algumas áreas registram avanço da colheita e melhora pontual nas cotações, outras ainda enfrentam preços reduzidos, dificuldades de escoamento e pressão sobre os custos de produção.