Clima e demanda guiam grãos no mercado
No trigo, os contratos em Chicago registravam leve alta
No trigo, os contratos em Chicago registravam leve alta - Foto: Seane Lennon
Os mercados agrícolas abriram o dia com comportamento misto, refletindo a combinação entre clima, demanda externa, logística e ajustes tributários em países produtores. Segundo a TF Agroeconômica, as tendências iniciais desta sexta-feira mostram trigo, soja e milho operando com variações moderadas, em um ambiente ainda marcado por incertezas comerciais e climáticas.
No trigo, os contratos em Chicago registravam leve alta, enquanto o início da colheita de inverno no sul dos Estados Unidos seguia no radar dos operadores. A previsão de chuvas fortes para os próximos dias pode atrasar os trabalhos de campo e afetar a qualidade das lavouras maduras, especialmente em um momento em que estados relevantes, como o Kansas, já apresentam condições consideradas frágeis. Nas Grandes Planícies do Norte, porém, a umidade contribui para melhorar o balanço hídrico do trigo de primavera.
Na Argentina, o anúncio de redução dos impostos de exportação sobre o trigo, de 7,5% para 5,5% a partir do próximo mês, foi interpretado como estímulo à nova safra 2026/2027. O movimento ocorre em meio a custos mais altos de combustíveis e insumos, incluindo a ureia.
A soja também começou o dia em alta moderada em Chicago, mas o mercado segue pressionado pelo clima favorável nos Estados Unidos e pela cautela antes do feriado prolongado. As chuvas no Cinturão do Milho favorecem o desenvolvimento das lavouras jovens de milho e soja, enquanto a ausência da China nas compras americanas reforça dúvidas sobre a demanda para a nova safra. No Brasil, os estoques elevados mantêm pressão sobre o farelo, ao mesmo tempo em que os atrasos logísticos em Paranaguá aumentam.
No milho, Chicago reagiu após três sessões de queda, sustentada por fatores técnicos e por exportações americanas fortes, que avançaram 26,22% sobre o ano anterior. A seca em Nebraska ainda preocupa, embora as chuvas previstas possam aliviar parte da falta de umidade. Na Argentina, a redução tributária não incluiu o milho, cuja alíquota segue em 8,5%.