Clima pode abrir espaço para exportações de arroz
Nesse cenário, Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai aparecem em posição favorável
Nesse cenário, Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai aparecem em posição favorável - Foto: coniferconifer
O clima pode abrir uma nova oportunidade para as exportações de arroz do Mercosul nos próximos meses, especialmente diante dos riscos de perdas produtivas em regiões dependentes de importações. Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz, o alerta da FAO sobre os efeitos do El Niño na América Central e no Caribe merece atenção por seu possível impacto sobre a demanda internacional.
Caso a produção local seja prejudicada, países como Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, República Dominicana, Haiti e Cuba poderão ampliar as compras externas para garantir o abastecimento. Esse movimento teria potencial para alterar o fluxo comercial do cereal e criar novas oportunidades para fornecedores próximos e competitivos.
Nesse cenário, Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai aparecem em posição favorável. Além de reunirem produção com capacidade de competir no mercado externo, os países contam com uma vantagem logística relevante. A rota pelo Atlântico é o caminho natural para atender parte desses mercados, o que pode fortalecer a presença do Mercosul nas exportações.
Outro fator que pode ampliar esse espaço é uma eventual redução da oferta exportável de grandes produtores asiáticos, como Índia, Tailândia e Vietnã. Se o El Niño também afetar esses países, a disputa pelo arroz disponível tende a aumentar, contribuindo para preços internacionais mais firmes e melhores condições de comercialização na safra 2026/27.
O cenário ainda não representa uma previsão consolidada, mas indica um movimento que deve ser acompanhado de perto. No mercado de arroz, mudanças climáticas costumam antecipar ajustes na oferta, na procura e nos preços, com reflexos diretos sobre as estratégias comerciais dos países produtores.