Colheita avança, mas mercado de milho segue cauteloso no Sul
A demanda interna continua moderada
A demanda interna continua moderada - Foto: USDA
O mercado de milho no Sul do país inicia o ano marcado por cautela, ritmo lento nas negociações e expectativas relacionadas ao avanço da colheita e ao comportamento da demanda. Levantamento da TF Agroeconômica mostra que, apesar de movimentações pontuais e ajustes regionais de preços, a liquidez segue restrita na maior parte dos estados, com compradores e vendedores mantendo posições distantes.
No Rio Grande do Sul, as negociações permanecem concentradas entre cooperativas e pequenas indústrias, enquanto o mercado spot segue com pouca fluidez. A cautela dos compradores e a expectativa de maior oferta com o avanço da colheita mantêm as referências amplas, entre R$ 59,00 e R$ 72,00 por saca. Mesmo assim, o preço médio estadual apresentou leve alta, passando de R$ 62,18 para R$ 63,15 por saca, conforme dados da Emater.
A demanda interna continua moderada, com exportações avançando lentamente e consumidores priorizando estoques adquiridos antecipadamente. Do lado da produção, os produtores seguem focados na colheita e no cumprimento de contratos já firmados. A colheita da safra verão ganhou ritmo nas últimas semanas, ainda abaixo da média histórica, enquanto as lavouras apresentam recuperação parcial da produtividade após as chuvas recentes, embora cresça a atenção para doenças e pragas.
Em Santa Catarina, o mercado segue praticamente travado pelo desalinhamento entre pedidas e ofertas. Produtores indicam valores próximos de R$ 80,00 por saca, enquanto as indústrias permanecem ao redor de R$ 70,00, limitando os negócios. A oferta continua controlada pela retenção de estoques, e a demanda atua apenas no curtíssimo prazo. A média estadual permanece estável em R$ 68,46 por saca, em um cenário de referências regionais bastante divergentes. A colheita avança de forma pontual e ainda sem impacto relevante sobre o mercado.
No Paraná, o início do ano também é de ritmo lento, com produtores mantendo pedidas próximas de R$ 75,00 por saca e indústrias ao redor de R$ 70,00 CIF. As variações de preços seguem localizadas e sem força para destravar as negociações. O plantio da segunda safra avança dentro da janela prevista, enquanto a colheita da safra 25/26 ainda não teve início.
Já em Mato Grosso do Sul, o mercado começa a mostrar sinais mais claros de recuperação. As cotações oscilam entre R$ 56,00 e R$ 60,00 por saca, com altas mais expressivas em algumas regiões. O principal suporte vem da demanda do setor de bioenergia, com usinas absorvendo parcela relevante da oferta e limitando movimentos de baixa, apesar de a liquidez ainda permanecer contida.