A colheita da soja em Sinop está bem adiantada, avalia Antônio Sérgio Rossani, presidente do Sindicato Rural. Ele acredita que em torno de 50% da produção de soja já foi colhida. O que está preocupando mesmo a classe produtora, segundo ele, são os altos custos de produção.
"Hoje o custo de produção está em R$ 1,5 mil por hectare, enquanto que o faturamento é de R$ 900 por hectare. Então, o produtor está perdendo uma média de R$ 600 por hectare. Isso vai inviabilizar a classe. Será uma quebradeira geral", alertou ele.
Rossani elogiou a idéia do presidente da Famato (Federação de Agricultura de Mato Grosso) Homero Pereira, de promover o pacto Pró-Produção e Renda, mas ressaltou que o produtor precisa de soluções concretas. "O governo precisa reavaliar essa situação. Esse problema vai refletir em todos os setores do município de Sinop e região", alertou.
Segundo Rossani, muitos produtores de Sinop já estão com parcelas de financiamento agrícola vencidas. "Eles não estão conseguindo pagar porque o custo da produção de soja está muito alto", frisou. Na semana passada, em Cuiabá, os sojicultores se reuniram para alertar as autoridades sobre a crise que o setor enfrenta nesta safra.
Os produtores temem que os preços não dêem para cobrir nem os custos de produção da safra 2004/05, em função da crise cambial e do encarecimento dos insumos agrícolas. De acordo com a Famato, uma das recomendações que estão sendo passadas aos produtores é para que não vendam a soja no campo e aguardem uma reação nos preços, que estão sendo cotados em média por R$ 24 a saca de 60 quilos.