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Combate ao fungo causador da doença Mancha Preta dos Cítricos

Pesquisadora da Esalq usa técnica transgênica para identificar evolução de fungo em citros


Pesquisa na laranja - Pesquisadora da Esalq usa técnica transgênica para identificar evolução de fungo em citros

O fungo causador da doença Mancha Preta dos Cítricos, popularmente conhecida como Pinta Preta, pode ter o seu desenvolvimento melhor pesquisado e com isso, poderá surgir um produto específico para combatê-lo. Isso pode resultar na diminuição das doses de fungicidas utilizados no cultivo, trazendo menos custo e prejuízo ao meio ambiente e à saúde, além de menor perda para o setor.

Essas medidas são possíveis porque a engenheira agrônoma e pesquisadora piracicabana, Maria Beatriz Calderan Bonassi, 30, conseguiu, por meio de técnicas trangênicas, inserir no fungo Guignardia citricarpa, causador da doença, um gene que fica fluorescente quando exposto à luz ultra-violeta. O processo permite aos pesquisadores estudar o seu desenvolvimento na planta.

“O fungo gosta de clima úmido e quente. Resiste no solo de uma safra para outra, é disseminado pelo vento e pela água e por isso é difícil seu combate. A doença não afeta o fruto, só a casca, mas impede a exportação para a Europa - onde não existe esse fungo - e Estados Unidos, que temiam que a doença atingisse os pomares do país. O fungo foi identificado recentemente na Flórida. A doença também prejudica a venda no varejo, porque o fruto fica cheio de pintas na casca”, disse.

A maioria dos frutos com a doença são destinadas para a produção de sucos, conforme a pesquisadora.

LABORATÓRIO. Maria Beatriz começou a pesquisar esse fungo há seis anos, em laboratório e espera que outros pesquisadores deem continuidade às análises no campo. No mestrado ela começou os primeiros testes genéticos e aprofundou a pesquisa no doutorado, no Departamento de Genética da Escola de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).

O estudo foi concluído há pouco mais de um mês e teve a orientação da professora doutora Aline Aparecida Kliner, com patrocínio da Fundecitrus, CNPq e Fealq.

Segundo ela, a doença foi identificada no Brasil entre as décadas de 40 e 50. Teve início no Rio de Janeiro e se espalhou rapidamente pelos estados produtores, com exceção do Nordeste que ainda não foi detectado, mas a região tem uma pequena produção.

“O Brasil é o maior produtor mundial de laranja, fornece 82% do fruto consumido no mundo, in natura ou em suco. O Estado de São Paulo é responsável por 80% dessa produção e essa doença da Mancha Preta é uma das mais comuns dos pomares”, afirmou.

Fungos podem evoluir

A pesquisadora explicou que atualmente o controle da doença Mancha Preta dos Citros é feito pelo uso de diferentes fungicidas, que são aplicados desde a floração da laranjeira, até o início do desenvolvimento do fruto.

“Quanto mais são aplicados os fungicidas nas plantas e frutos, mais resistentes os fungos podem se tornar a eles. Por essa razão, é importante conhecer todos os passos da colonização na planta, para facilitar o seu combate, reduzir a aplicação”.

A pesquisa pode beneficiar todos os citros que são atingidos pela doença, como a tangerina.

“De todas as frutas brasileiras produzidas, 49% são de citros”, afirmou.

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