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Como diminuir o impacto do percevejo castanho na pastagem

O entomologista Paulo Marçal Fernandes, da UFG, escreve sobre a evolução da praga nos últimos anos, medidas equivocadas de controle e os rumos da pesquisa para tentar combater o inseto


O nome comum, percevejo castanho ou percevejo castanho da raiz tem sido utilizado para designar várias espécies de percevejos da subfamília Scaptocorinae, família Cydnidae que habitam o solo.

O primeiro registro de percevejo castanho no Brasil ocorreu no final do século XIX, quando Perty descreveu a espécie Scaptocoris castanea Perty, a partir de exemplares procedentes do Piauí (Becker,1967). Nos trabalhos de Becker (1967 e 1996), ainda há referências a mais 6 espécies de percevejos Scaptocorinae ocorrendo no Brasil: Scaptocoris minor Berg, Scaptocoris buckupi Becker, Scaptocoris carvalhoi Becker, Atarsocoris gisellae (Carvalho), Atarsocoris macroptera Becker e Atarsocoris brachiariae Becker, esta última identificada mais recentemente, em 1996, a partir de exemplares coletados em Dom Aquino, MT em Brachiariae humidicola. A espécie mais citada causando danos em culturas diversas é Scaptocoris castanea.


Nos últimos anos na região do cerrado altas populações vem se tornando frequentes a cada safra, tanto em áreas sob plantio direto como sob sistema de cultivo convencional, com predominância S. castanea em áreas de algodão, soja, arroz e milho, principalmente em Goiás, e de A. brachiariae em pastagens no Mato Grosso e Tocantins (Valério, 1999). Em levantamentos realizados no período de 1997 a 2002, em áreas de soja, algodão, arroz e milho-safrinha, em vários municípios do sudoeste goiano, ocorreram altas infestações de S. castanea com populações médias superiores a 1000 adultos e ninfas /m3 de solo.

Situação semelhante foi observada para Scaptocoris carvalhoi em pastagens de Brachiaria brizanta no município de Paraúna-GO. Em parte destas áreas as perdas chegaram a 100%, levando alguns produtores ao desespero e à tomada medidas controle inócuas e não recomendadas como: uso abusivo de inseticidas, mudança do sistema de cultivo e da cultura e até abandono de áreas muito infestadas.


Neste trabalho são apresentadas observações de hábitos e comportamentos destes percevejos, bem como alguns dados sobre a flutuação populacional anual de ninfas e de adultos, ciclo biológico, danos e resultados de controle obtidos nos últimos seis anos, imprescindíveis para o estabelecimento de estratégias de manejo integrado.

Ocorrência e características

O complexo de percevejo-castanho-da-raiz, tem ampla distribuição geográfica na região Neotropical. No Brasil, há referências de ocorrência desse grupo no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Amazonas e, mais recentemente, Rondônia (Workshop, 1999).
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