Foto: Nadia Borges
A presença da broca-da-cana nas lavouras de milho tem preocupado produtores em diferentes regiões do país devido aos danos provocados no colmo, à redução do estande e às perdas de produtividade. Entre janeiro e maio, período em que parte das lavouras está entre o desenvolvimento vegetativo e o enchimento de grãos, o monitoramento da praga e a definição do momento correto de controle ganham importância no manejo fitossanitário da cultura.
A chamada broca-da-cana é causada principalmente pela espécie Diatraea saccharalis, inseto conhecido historicamente como uma das principais pragas da cana-de-açúcar, mas que vem ampliando sua presença em áreas de milho, sobretudo em regiões com integração entre as duas culturas. No milho, o prejuízo econômico é causado pela fase larval, quando as lagartas passam a se alimentar dos tecidos internos do colmo, da base das folhas e, em alguns casos, da região próxima às espigas.
Os primeiros sintomas observados no campo costumam surgir nas folhas jovens, ainda em forma de cartucho. As perfurações aparecem alinhadas e formam o conhecido padrão de “tiro de metralhadora”, resultado da alimentação das lagartas dentro do cartucho antes da abertura das folhas. Com o avanço da infestação, as lagartas penetram no colmo e passam a deixar orifícios circulares ou elípticos, além do acúmulo de excrementos próximos aos pontos de entrada.
Em situações mais severas, as plantas podem apresentar quebra acima do solo, acamamento localizado e falhas no enchimento de grãos. Os danos ocorrem devido ao comprometimento dos vasos condutores e da estrutura interna do colmo, aumentando a vulnerabilidade da lavoura, principalmente em períodos de vento forte e chuvas intensas.
A identificação correta da praga é considerada um dos principais desafios do manejo. A lagarta da broca-da-cana apresenta corpo claro, variando do amarelado ao creme, pequenas manchas escuras alinhadas e cabeça escura, podendo atingir entre dois e três centímetros nas fases finais de desenvolvimento. O padrão de galerias no colmo e os sintomas nas folhas ajudam na diferenciação em relação a outras brocas que atacam o milho.
O ciclo biológico da praga se intensifica em ambientes quentes e úmidos, comuns no final do verão e início do outono. As mariposas realizam a postura de ovos, geralmente na face inferior das folhas, e as lagartas passam por diferentes estágios até atingirem a fase final dentro do colmo. No milho, os estádios entre V4 e o início do enchimento de grãos são considerados os mais sensíveis ao ataque.
O monitoramento em campo é apontado como a principal ferramenta para definir a necessidade de intervenção. A recomendação é dividir as áreas em talhões homogêneos e realizar caminhamentos em zigue-zague ou em formato de “W”, observando a presença de perfurações nas folhas, galerias no colmo, excrementos e plantas quebradas. Armadilhas com feromônios também podem ser utilizadas para acompanhar o aumento da população de adultos.
A decisão pelo controle deve considerar fatores como intensidade da infestação, estádio da cultura, histórico da área e potencial produtivo da lavoura. Técnicos alertam que o controle tende a ser mais eficiente quando as lagartas ainda permanecem expostas no cartucho e nas folhas, antes da penetração profunda no colmo, condição que reduz significativamente a eficiência de inseticidas de contato.
O manejo integrado da broca-da-cana envolve estratégias culturais, biológicas e químicas. Entre as práticas culturais estão a destruição de restos culturais, a rotação de culturas e a adoção de semeaduras mais uniformes, reduzindo a continuidade do ciclo da praga. O uso de híbridos adaptados e o manejo adequado da lavoura também contribuem para reduzir perdas associadas ao acamamento e ao enfraquecimento do colmo.
O controle biológico também vem sendo utilizado em programas de manejo, especialmente com parasitoides do gênero Trichogramma e fungos entomopatogênicos. Já o controle químico deve ser realizado com produtos registrados para a cultura e para a praga-alvo, sempre respeitando as orientações de bula, receituário agronômico e recomendações técnicas.
Especialistas reforçam que o manejo da broca-da-cana deve ser integrado ao monitoramento de outras pragas e doenças do milho. As galerias abertas pelas lagartas podem favorecer a entrada de patógenos associados às doenças de colmo, aumentando os prejuízos à lavoura e comprometendo a produtividade.
A recomendação é que os produtores realizem acompanhamento constante das áreas entre janeiro e maio, especialmente em regiões com histórico da praga ou proximidade de áreas de cana-de-açúcar. A adoção de medidas preventivas e o monitoramento contínuo são considerados fundamentais para reduzir perdas e evitar aplicações desnecessárias de Inseticidas. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.